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Tédio na infância é necessário, e faz bem.

Nossas crianças são da geração touch screen, e parecem ter de estar entretidas o tempo todo para que não encarem o tédio na infância, bastante necessário. Não abomino o uso da tecnologia por elas. Artur tem, sim, seu tablet, vê TV e curte vídeos no youtube… mas há que se ter um limite. Cabe a nós, como pais, tirar os pequenos da frente das telas e, quando acontecer de eles falarem o que Artur já falou para mim, de que não havia nada para fazer, não temer e responder: então, filho, faça nada!

Feliz é a criança que tem quem não teme que elas fiquem entediadas, quem não subestima o poder que ela tem de usar a imaginação, quem não se sente culpada de tirá-la da frente de um eletrônico e assim bancar a chata… porque é no tédio infantil que as ideias surgem. Bingo!! Nossos pequenos, da geração digital, são tão criativos quanto foram os meninos e meninas numa época totalmente analógica. Pode apostar: crianças não precisam ser entretidas ininterruptamente. Quando o tempo de eletrônico cessa, passada a birra de ter sido tirado de frente das telas, vem o tédio de Artur… seguido pelo ócio criativo, e em pouquíssimo tempo, está ele lá no quarto com os brinquedos, inventando histórias, fazendo barulhinos, imerso num mundinho que ele teria sido impedido de visitar se não fosse confrontado com o… ora, veja: tédio!

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Artur curte estar em casa, na mesma medida em que ama estar lá fora. Como eu sei disso? Diariamente, na hora de voltar pra casa quando o sol se vai, vem o famoso “só mais cinco minutinhos tá, mamãe?”. Sei que há pequenos que, infelizmente, já nem sentem mais o prazer que há em brincar ao ar livre, e os pais já desistiram de se esforçar por convencê-los de que brincar de maneira analógica é bom, e faz bem… é uma pena. Crianças assim acabam sendo privadas do que elas nem experimentam, pela falta de oportunidade. Ás vezes precisamos ser firmes, sabe? É nosso dever limitar, sim, tanta exposição à tecnologia. A infância agradece.

Desde que Artur era bebezinho, brinca ao ar livre nos parquinhos. Ainda nem andava, apenas engatinhava, e eu não ficava com ele no carrinho pra cima e pra baixo… não! Ele ira era para o chão, pra grama, brincar e sentir texturas, sentir o vento no rosto, interagir com crianças do tamanho dele e maiores. Achava isso fundamental para ele: ver gente, bichinhos ao ar livre, sentir seu corpinho em contato direto com o mundo ao redor… fora de um carrinho. E assim ele cresceu, brincando com outros pequenos filhos de pais que também acreditavam que é brincando que se aprende! E não é verdade?

Amo vê-lo brincando com outras crianças exatamente como brinquei um dia: envolvido em grupinhos que têm suas regras, correndo e pulando de um lado para o outro. Se sujando inteiro! Se volta pra casa com o bumbum imundo de tanto escorregar no monte de grama, nem ligo. Só tem infância quem se suja. É assim que experimentam, descobrem, e são felizes.

Que a gente, enquanto pais dessa geração high tech, não tenha medo de permitir esse contato com as possibilidade e oportunidades de aprendizado para eles, ainda que o caminho comece por eles serem confrontados com o tédio. Eles precisam disso, de olhar pro nada e esperarem as ideias chegaram… elas chegarão! Sabe o porquê? Crianças são assim desde que o mundo é mundo… santo ócio criativo! O estímulo vem de dentro.

E quem disse que não há aí lições para toda a vida? Se a gente teme que eles se chateiem porque saíram da frente das telas, onde a relidade é virtual, apressada, super estimulada e imediatista, como ensinar aos pequenos que o mundo lá fora não é assim? Ser estimulado o tempo todo ensina a nossas crianças a não ter paciência, a querer tudo pra agora. É bom parar, acalmar, esperar… na vida real as coisas acontecem em outro ritmo, e eles precisam aprender isso desde já. Se não aprendem, como vão lidar com o tédio e a espera quando adultos? Há tempo pra tudo… e pra viver a vida ofline também.

A vida fora dessa realidade é boa e feliz, que a gente não tenha medo de mostrar isso aos nossos pequenos. Eles vão curtir… e que seja sem moderação!

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