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Relato de parto natural humanizado: nascimento de Angelo

Se há alguma dúvida sobre como se dá um parto natural humanizado, como ele realmente deveria acontecer, no relato de Telma, a respeito do nascimento de Angelo, a gente compreende bem. Uma mãe bem informada, tranquila e segura com sua escolha, parindo no melhor lugar possível para realizar o sonho de trazer seu filho ao mundo naturalmente, sem maiores intervenções… é o que você verá nesse post.

Uma história linda com detalhes que nos transportam para o mesmo local, e texto gostoso de ser lido, o que não tira de nós outra coisa que não seja uma forte emoção… preparada? Então, vem!

O nascimento de Angelo…

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Bebê Angelo… pequeno sorridente, gostoso e lindinho de viver!

Em 20/11/2004 nasceu Sofia. De parto normal. Completamente induzido e cheio de violência obstétrica. Geralmente o primeiro parto é assim: a gente confia no médico, confia no hospital e nos procedimentos. Falta informação. Hoje em dia isso já é um tanto diferente, mas 12 anos atrás era bem assim: faltava informação.

Em 2010 eu fui convidada a participar voluntariamente da ONG Bem Nascer, fazendo a diagramação do Informativo, e foi maravilhoso pois aprendi muita coisa e decidi que se tivesse outro filho, eu procuraria o parto natural, HUMANIZADO!

Quando, em setembro de 2016, me descobri grávida, busquei ainda mais informações do que eu já tinha e procurei o apoio do meu marido, mas foi difícil… Ele, um pai “experiente” com histórico de duas cesáreas, não foi muito útil na minha escolha… Mas depois que eu recebi a indicação de uma Enfermeira Obstetra do Sofia Feldman para nos acompanhar numa visita ao hospital, ele aceitou e também aceitou que ali, apesar das acomodações não serem boas como seriam num hospital particular, seria o melhor lugar para a escolha que eu fiz. Consegui também, com 37 semanas, uma doula muito querida, a Fernanda. Por morarmos meio longe uma da outra, combinamos que o acompanhamento seria via whatsapp até eu ser internada, quando então ela iria pra maternidade e me apoiaria lá.

Angelo tinha duas DPP’s: de acordo com a DUM, era para o dia 16/05. De acordo com o primeiro US morfológico, era pra dia 06/05. Mas ele não nasceu em nenhum dos dois dias. E o tempo foi passando, deixando a minha GO preocupada… mas pelo menos ela estava se baseando pelas contas da DUM e, no dia 15/05, quando fui fazer uma consulta no hospital em que ela atende para fazer o cardiotoco, ela me disse que se o Angelo não nascesse até o dia 22/05 teríamos que induzir o parto ou partir para uma cesárea pois já entraríamos na 41ª semana… Eu fiquei muito triste e abalada, mas no dia 18/05, quinta feira, eu resolvi conversar muito com o Angelo enquanto colocava a casa em ordem pra chegada dele e às 17hs comecei a sentir cólicas, mas só contei para meu marido, mãe, tia e filha depois das 20hs, quando eu já tinha certeza do que sentia. Todos ficaram ansiosos, menos eu… já sabia que não demoraria demais, que não chegaria na segunda.

Sexta feira, 19/05, acompanhei o marido em duas consultas médicas dele, aproveitei pra me distrair e caminhar. Por conta das consultas ele ficou em casa o dia inteiro, o que foi bom pra me dar um apoio de tarde, quando as contrações começaram a aparecer mais fortes. Às 17hs, fase latente do trabalho de parto! Claro que ainda não era possível uma confirmação do tempo que levaria até o Angelo nascer, mas aquilo já me deixou bem feliz. Às 21hs fui descansar e consegui dormir entre uma contração e outra. À meia noite eu levantei para tomar o terceiro banho quente do dia e quando meu marido perguntou como eu estava, eu respondi “ótima, mas está na hora de irmos para a maternidade”. Saímos de casa 1:21hs e fomos bem devagar, pois chovia… levamos mais de uma hora até o Hospital Sofia Feldman.

Chegando lá, admissão: 42 semanas de gestação = internação certa às 3:20hs! 5 cm de dilatação. Ótimo. Passei aproximadamente uma hora no pré-parto e precisei do antibiótico por causa do Strepto B positivo. Às 4:30 fui encaminhada para a suíte de parto e a Fernanda chegou na mesma hora.

Suíte de parto? Sim… no Sofia Feldman tem, sim, o centro cirúrgico. Só é usado para casos graves e cesáreas realmente necessárias. Qualquer outra gestante é atendida na suíte de parto, que conta com banheiro privativo grande (e chuveiro quente! Rs), banheira (poucas suítes não tem banheira e não tem como escolher isso), bola de pilates e a cama “hospitalar”, que é muito diferente da tradicional, pois ela é bem mais baixa, fica com o encosto elevado e não tem aquelas porcarias da gente colocar as pernas. Tem também um arco que encaixa na cama e que é bem interessante. Além disso tem todo o equipamento que a gestante pode precisar durante o TP, além dos equipamentos para os primeiros cuidados com o bebê.

Já no pré-parto eu sentia um pouco de vontade de fazer a tão famosa força pra baixo. O que continuou, aumentando gradativamente.

Na suíte, uma enfermeira obstetra bem novinha se apresentou carinhosamente e disse que acompanharia o meu trabalho de parto. Ela não saiu da suíte em nenhum momento e estava sempre se dirigindo a mim com muito carinho e paciência, sempre, e respeitando demais a presença da Fernanda a meu lado. Sempre pedindo permissão para escutar o coraçãozinho do Angelo de tempos em tempos.

Eu fui direto para o chuveiro e fiquei ali por muito tempo, agachando toda vez que vinha uma contração. Dali eu quis ir para a banheira e não sei por quanto tempo fiquei ali, cantando as músicas que eu selecionei na minha playlist do parto e que a Fernanda lembrou de colocar pra mim. Eu não sei quais músicas tocaram, mas me lembro de cantá-las rs.

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Pouco antes das 7horas a enfermeira disse que precisava fazer o toque, que tinha sido verificado na minha admissão, às 3:30hs. Ela explicou que precisava ter feito o toque às 6:30hs, mas achou que ia conhecer o Angelo e isso não seria necessário, mas como o plantão dela acabaria às 7hs, seria necessário. Mas me perguntou se eu permitia.

Nessa hora eu já queria pedir arrego, pedir analgesia… mas esperei. Fui para a cama e depois de ser avaliada, ela disse que eu estava com a bolsa íntegra e com dilatação total: 10cm!!! Sendo assim, preferi esquecer a analgesia! Já estava perto. Me sugeriram colocar o arco na cama, o que aceitei logo. Agachei e fui fazendo bastante força e a bolsa estourou de uma vez só! Foi fantástico! Mas me cansei demais e quis relaxar no chuveiro de novo.

Nesse momento a enfermeira da madrugada foi embora e chegaram outras duas. Me senti da mesma forma com elas: acolhida. Eu estava MUITO BEM assistida! Como elas já podiam ver os cabelinhos do Angelo enquanto eu estava na cama, colocaram o banquinho de cócoras no chuveiro pra eu ficar mais confortável e porque existia a possibilidade de ele nascer ali. Se ofereceram para me ensinar a amparar o Angelo caso ele nascesse ali e também amparar o meu períneo para ter o menor nível de laceração possível. Fiquei no chuveiro por muito tempo, mas me cansei. Voltei pra cama, agachada e fiquei assim algum tempo, mas as pernas doeram. Uma das enfermeiras do novo turno me falou docemente que eu poderia descansar, se quisesse, tentar dormir, relaxar. E foi o que fiz. Deitei de lado na cama e descansei. E até consegui tirar um cochilo entre as contrações. Quando “acordei” novamente, mais renovada, pensei em ficar agachada, mas não conseguia. E então as enfermeiras me ofereceram um lençol amarrado ao arco. Essa manobra poderia aumentar a minha força na hora das contrações. Aceitei. E durante todo esse tempo elas continuavam escutando o coraçãozinho do Angelo, que nesse momento começou a desacelerar durante (ou depois, não lembro) as contrações. Me ofereceram o oxigênio para ajudar a mandar isso para ele. Aceitei, claro! Voltei a fazer força e foi quando, depois de uma contração, a Fernanda me falou que com mais três forças o Angelo nasceria, me renovei! Fiz uma força grandona, senti a queimação do círculo de fogo e a emoção de poder tocar a cabeça do meu filhote, que logo apareceu, com uma circular do cordão no pescoço. Relaxei pra esperar a próxima contração e quando ela veio fiz mais uma força grandona e senti os ombros passando e logo ele estava ali, com mais cordão enrolado nos dois braços e com mecônio nas perninhas e costas – ele tinha feito o primeiro mecônio, provavelmente em uma das últimas contrações.

A pediatra foi chamada e logo depois de tirarem o excesso de mecônio do pequeno, ele veio para os meus braços. A pediatra o avaliou ali mesmo (por causa do mecônio) e estava tudo ok. Meu marido chegou e ficamos juntos babando no filhote. Ele mamou. E nós esperamos a saída natural da placenta, mas ela não aconteceu pois ficou parada no meio do caminho, o que impossibilitou as contrações para sua expulsão. E então, quase uma hora depois do nascimento do Angelo, a enfermeira pediu minha permissão para retirar manualmente a placenta, pois já tinha muito tempo. Com todo respeito e paciência o procedimento foi feito. Sem dor, sem problemas. A Fernanda tirou uma foto do pequeno com a placenta; eu o separei dela, cortando o cordão… E depois de todo esse tempo maravilhoso com o filhote nos braços, eu o passei para a equipe de pediatria e fui tomar um banho, acompanhada da doula, por causa da fraqueza.

PARTO NATURAL HUMANIZADO-RELATO DE PARTO-TELMA MACIEL[1]

Sabor de vitória! Emoção pura e muito amor!!!

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Papai babão, bebê Angelo, eu e a tia Fernanda…

porque depois de passar com a gente por tudo isso, ganha o status de tia mesmo!

Meu meninão nasceu de um parto totalmente natural, totalmente humanizado, sem nenhuma violência obstétrica ou intervenções, às 8:13hs do dia 20 de maio, com 50 cm e 3800g. Não solicitei analgesia e não tive laceração no períneo! No fim das contas, me senti renovada, me senti renascendo naquele parto! Foi maravilhoso e não me arrependi nem um pouco de abrir mão do plano de saúde e de uma hotelaria melhor, porque tive o parto que sonhei!

Sei que o texto aqui ficou bem grande, mas não ficou tão detalhado (sim… consigo ser ainda mais detalhista… rs). Escrevi um post no meu blog com mais detalhes sobre o primeiro e esse segundo partos no meu blog. Quem se interessar, esteja à vontade. Daqui alguns dias vou escrever um pouco mais sobre a maternidade Sofia Feldman e também sobre o puerpério…

Agradeço a quem leu até aqui. Foi com muito carinho que escrevi esse post para o Trololó de Mulher, e se quiser entrar em contato comigo para alguma outra informação, estou à disposição. Meu email: maciel.telma@gmail.com

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