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Estresse engorda: mito ou verdade?

Dizer que estresse engorda não é uma desculpa qualquer, porque é verdade: tem tudo a ver ser estressada e ter aumento de medidas no corpo. Está cientificamente comprovado e a consultoria para a edição deste post, pela Dra. Juliana Gabriel, Médica Endocrinologista de Campinas – SP, nos ajuda a entender de uma maneira bastante simples e didática como se dá essa relação entre estresse e ganho de peso. Tensão no dia a dia influencia na balança, e muito mais do que poderíamos imaginar. Confira!

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Imagem: Livin’ Spoonful via Foter.com / CC BY-NC-ND

Estresse do bem?

O estresse é, na verdade, a resposta fisiológica de defesa do nosso corpo, quando hormônios são liberados preparando o organismo para “lutar ou fugir”. Em situações agudas, o estresse não só é positivo como essencial para a sobrevivência. Dizem que “uma quantidade moderada de estresse estimula ação e realização.” Essa reação do corpo foi muito importante para a sobrevivência da nossa espécie até o momento atual. No mundo moderno, o estresse é o que nos permite aguentar noites em claro, jornadas duplas de trabalho, maratonas de provas, cursos intensivos… sem falar nas questões biológicas como a capacidade de recuperação após cirurgias, traumas e mesmo infecções.”

Estresse x Gula

Durante a fase aguda do estresse, o principal hormônio envolvido é a adrenalina, que tem efeito “anorexígeno” ou “hiporexígeno” (que em ciência significa que diminui o apetite), o que faz sentido em situações de luta ou fuga.  Porém o estresse crônico está mais relacionado com a produção de um outro hormônio, chamado cortisol. O cortisol em excesso, a médio e longo prazo, tem sim um efeito sobre o apetite e sobre a distribuição de gordura corporal, predispondo ao ganho de peso. Além da questão hormonal existem também questões neurocomportamentais. Estudos já demonstraram que pessoas estressadas, ansiosas e deprimidas tendem a fazer escolhas alimentares mais relacionadas ao prazer imediato, como doces e alimentos mais gordurosos, numa tentativa de compensar o estado emocional.”

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Esta é uma pergunta muito importante. Muitas pessoas relacionam o estresse com irritabilidade, que pode sim ser um sintoma muito frequente. Mas não é o único. Muitas vezes o estresse se manifesta com outros tipos de sintomas, como por exemplo: alterações do padrão de sono, alterações no padrão alimentar (como descrito acima), diminuição da memória, cansaço, dificuldade de concentração ou mesmo dificuldade em iniciar ou completar novas tarefas. Também não podemos esquecer dos sintomas somáticos do estresse, que variam de indivíduo para indivíduo: dores de cabeça, dores de estômago, dores no pescoço ou coluna, apertamento da mandíbula gerando disfunção na ATM (articulação temporomandibular), podendo inclusive precipitar o aparecimento de doenças autoimunes em pessoas com predisposição, como por exemplo hipotireoidismo, vitiligo, lupus e até mesmo diabetes.”

O corpo fala

Se pudermos relacionar o estresse com um aumento crônico do cortisol, existe sim uma predisposição maior à adiposidade em abdome e tronco (com menor acúmulo nos membros). Mas isso pode variar bastante de pessoa pra pessoa.”

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“A curto prazo, os sintomas relacionados ao aparelho psíquico e as somatizações. A médio prazo, existe um maior risco de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, além da obesidade, insônia, depressão. A longo prazo, existe um maior risco de doenças cardiovasculares como infarto e derrame. Também existem alguns estudos relacionando o estresse com câncer e demências da terceira idade, em pessoas predispostas.

Como evitar?

“Em primeiro lugar, deve-se eliminar ou modificar os fatores do dia-a-dia que estão contribuindo para o estresse. De nada adianta medidas clínicas sem que haja uma ação na raiz do problema. A prática de exercícios físicos está comprovadamente associada a uma redução do estresse. Destaco os exercícios de corrida e Yoga como os que mais têm impacto nos estudos. Uma alimentação funcional, rica em substâncias anti-inflamatórias e antioxidantes (como o ômega 3, a vitamina C, D e E, reservatrol, entre outros) também está muito relacionada com melhora dos sintomas do estresse. E não podemos esquecer do sono: uma boa noite de sono reparador ajuda muito!”

JULIANA GABRIEL-ENDOCRINOLOGISTA-CAMPINAS-SP

Dra. Juliana Gabriel atende na Rua Barbosa de Andrade, 672, Campinas, (19) 3241-3305. Além do mais, a médica sempre atualiza seu blog com muita informação relevante para quem deseja manter a saúde em dia. Nas redes sociais a Dra. Juliana também se mostra bastante atuante, com atualizações em sua página no Facebook e em seu perfil no Instagram. Clique e acompanhe!

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2 comentários sobre “Estresse engorda: mito ou verdade?”

  1. Claudia Nobrega comentou:

    Muito bom !

  2. Cely comentou:

    No período de sete meses entre a descoberta do câncer de mamãe e seu falecimento eu engordei 20 quilos. Como? Não sei. Me pergunte qual era a dieta dela em pormenores que eu lembro, mas não tenho a mínima idéia do que eu comi ou bebi durante esse tempo. Agora que procurei um endocrinologista, ele tem me esclarecido sobre o processo de estresse que passei e que nem percebi que tinha passado.

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