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Relato de parto: empoderamento e limites!

O relato de parto de Dani (Daniela Santana) é daqueles que tiram o nosso fôlego porque é cheio de surpresas, e vem de uma mãe consciente de suas escolhas, e empoderada o suficiente para perceber quando há um limite para levar adiante o que havia planejado. Dani é uma mulher madura, linda, que idealizou o parto que considerava ideal, mas também sempre soube que o melhor mesmo é o parto possível. Confiante de que parto não pode ser uma história preto no branco, soube fazer valer o seu direito de escolher como gostaria de parir, mas não agarrou-se a radicalismos quando precisou garantir que seu bebê pudesse chegar ao mundo de maneira segura. Quer se emocionar tanto quanto eu, e vibrar com uma mãe que sabe escolher bem o caminho do meio? Confira!

RELATO DE PARTO

Dia 17/03/2017, por volta das 18h30, estourou a minha bolsa. Estava em casa, foi logo depois de um banho quente. Fiquei tão feliz! Afinal, entraria em trabalho de parto espontaneamente, já que, por conta dos riscos da diabetes gestacional, estava marcada minha internação e indução para a noite do dia 18. Avisei obstetra e doula. Heitor me ajudava a limpar o chão da sala. Coisa mais linda! Estava com 38 semanas e 4 dias.

Meu tão sonhado parto natural e humanizado estava chegando…queria tudo diferente de como foi com Heitor. Desta vez estava informada. Equipe médica humanizada e altamente competente. Decisões tomadas em comprovações científicas. Não ia permitir que me tirassem esta vivência de novo! Não ia permitir as intervenções desnecessárias em mim e no meu filho de novo! Nunca mais!!! Como é importante a informação! Como ela me fez falta no primeiro parto! Mas desta vez, tudo seria diferente!!!

Antes de engravidar, eu já havia decidido que procuraria equipe médica em que eu pudesse confiar para poder ter meu parto humanizado, com o melhor para mim e meu bebê. Marido foi contra. Tinha medo, por conta da cultura da cesariana entranhada na sua mente. Foi preciso sairmos da nossa zona de conforto. Isso dá medo mas é edificador. Ele disse que me apoiaria em tudo! Fosse do jeito que fosse! E assim seguimos…

Voltando pra noite do dia 17, liguei pra minha mãe, que logo chegou pra ficar com Heitor. Médico disse pra eu ficar em casa e aguardar, mas marido e mãe estavam tão estressados que, mais por eles que por mim, decidimos ir ao hospital. Entramos pela emergência, mas já instruídos pelo obstetra pra não deixar que fizessem nenhum toque. Iríamos aguardá-lo no quarto. Eu não sentia dor nenhuma. NADA. Apenas barriga contraindo, mas totalmente indolor. Obstetra chegou e constatou 2cm de dilatação. Como combinado, começamos a indução. 1 comprimido.

A evolução não ocorreu como esperado, as contratações continuavam sem ritmo e indolores. 12h de bolsa rota (rompimento posterior), começamos o antibiótico. Durante todo o dia do sábado, as contrações vinham em tempos diferentes e indolores. Não me recordo o tempo ao certo mas usamos ao todo 5 comprimidos para indução durante o tempo que esperávamos Benjamin. Na noite do sábado comecei a sentir dores no baixo ventre, como se fosse câimbra. Já não dava mais pra ficar deitada durante as contrações . Deitada doía 3x mais. Apesar de estar em trabalho de parto latente, já não podia mais usar o artifício da indução, era preciso deixar o corpo trabalhar por si só. Era preciso entrar em trabalho de parto ativo, com 3 contrações a cada 10 minutos…

 

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Eu estava calma. Por incrível que pareça!

Domingo foi o dia inteiro com contrações ainda sem ritmo, ora mais espaçadas, ora mais doídas, ora mais leves. O que mais me incomodava, mesmo, era a saudade que estava de Heitor, pois nunca tínhamos passado uma noite longe um do outro, e já se iam mais de 3! Sem contar que ele estava doente (febre, dor de garganta, asma, secreção).

Segunda, dia 20/03/17. Passei a madrugada sentindo muitas dores. E assim foi pela manhã da segunda. De repente as contrações pararam. Simplesmente sumiram. Fiquei triste. Fomos fazer uma usg, que mostrou estar tudo bem comigo e Benjamin. Durante todo esse tempo internada fizemos massagem, indução com misoprostol, aromaterapia, bola, agachamento e caminhadas pelo corredor do hospital. Resolvemos caminhar e, logo depois, as contrações voltaram. Já estava difícil lidar com toda expectativa de familiares e amigos que questionavam o tempo que já estávamos nesse processo. Minha dilatação não evoluía e não passava de 3 cm há um certo tempo. Mas Dr. Thiago sempre passava calma e segurança, por isso eu driblava tudo com certa tranquilidade. Porém, algo inesperado ocorreu!

 

RELATO DE PARTO-PARTO HUMANIZADO

Além de muitas pessoas ligando, médicos amigos e da família querendo falar com GO, pressionando Guilherme e a mim, fiquei aguardando-o pois estava mesmo precisando conversar com ele e me acalmar, diante dos medos que surgiram. Estávamos a caminho de 72h de bolsa rota. Porém, minutos antes da GO auxiliar chegar, entrou uma enfermeira (ou técnica de enfermagem, não recordo) para mais uma vez auscultar os batimentos de Benjamin, como de praxe. Só que a dita cuja fez cara de que algo estava errado. Perguntei o que houve. Ela respondeu que os batimentos estavam a 170! Meu coração gelou. Perguntei o que isso significava ao certo, o que era preciso fazer. Ela disse que voltava em uns 5 minutos pra reavaliar. No momento estávamos só eu e a doula no quarto, que questionou o fato de ter sido avaliado logo após o término de uma contração. Passado o tempo combinado, ela voltou. Desta vez fez uma cara ainda pior. Deixou a máquina de lado e tentou contar manualmente. Soltou: 80!

Pronto! Pirei! Surtei! Levantei da cama e comecei a urrar! Meu filho estava em sofrimento e a culpa era minha!!! O medo me dominou por completo. Eu já não raciocinava mais, só chorava desesperada! Guilherme chegou e se assustou com a cena. Perguntou o que tinha acontecido e eu disse que Benjamin estava em sofrimento. Ele pirou também. O medo é muito poderoso. E o de perder um filho é terrivelmente assustador, paralisante. Ele ligou pros médicos. Conseguiu falar com a auxiliar, Dra Viviane Medeiros, que logo chegou e encontrou todos em estado de pânico. Dissemos o que ocorreu e, no auge do desespero, ela terminou servindo de bode espiatório, onde descarregamos toda a carga estressante. Ela tentou nos acalmar e examinou os batimentos de Benjamin. Tudo certo! Não havia nada de errado.

Meu Deus! Que alívio ouvir aquilo! Foram minutos de terror!

Depois de toda aquela confusão, pareceu que tudo saiu do eixo. Fiquei me sentindo como se tivesse perdido o controle de tudo. Fiquei me perguntando quando foi que perdi o controle? Se é que tive controle em algum momento…

Lembrei que manejamos o leme e as velas, mas não temos nenhum controle sobre o vento. E este soprava em direção oposta ao meu querer…

GO e auxiliar chegaram na sala para conversar, mas eu não conseguia expor minhas vontades e sentimentos. Só chorava! Eu não tinha mais força emocional pra dizer que queria meu parto normal, e nem condição de aceitar que o limite tinha chegado. Simplesmente parei de pensar e deixei o vento levar pra onde fosse… decidiram pela cesária.

Acho que devido à adrenalina que passei, as contratações que sentia (já com dores no ventre e nas costas) começaram a ganhar ritmo e estavam em espaços muito curtos! Lamentei que não estava pondo no aplicativo. Pensei por uns segundos em desistir e ainda tentar, elas estavam com uns 3 minutos de intervalo! Logo agora! Eu que esperei tanto por elas! Eu que já não tinha mais medo delas e sim felicidade porque apareceram! Percebi como o medo atrapalha. Tudo é o modo como encaramos a dor das contrações e o apoio físico e emocional que recebemos. Mas aí pensei que eu não tinha o menor controle sobre as coisas, nem sabia se de fato o negócio tinha engrenado. Parei de pensar novamente e, como foi tudo muito rápido, quando dei por mim já estava pondo as vestimentas e deitando na maca a caminho do bloco cirúrgico.

 

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17h15 nasce meu bem querer, meu Benjamin! 3,355kg, 47,5cm. Sala escurinha, temperatura ambiente, música tranquila ao fundo, médicos humanizados na sua recepção.

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Obrigada a Dr Thiago Cesar Parente Saraiva e toda sua equipe! Obrigada Dr Guilherme Urben que o trouxe direto para os meus braços, aguardou o pulsar do cordão umbilical e o fez mamar assim que nasceu! Obrigada Guilherme, meu Pi, que me apoiou, esteve comigo todo o tempo, que me fazia rir, que “doulava”, que foi um parceiro fiel. Obrigada Ana Katz Schuler, doula e companheira de um dos momentos mais felizes da minha vida. Obrigada a tia Margaridinha que registrou esse momento mágico! Obrigada a todos que rezaram e torceram por nós! Faria tudo de novo!!!”

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