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Quando a vida recomeça aos 40, na idade da loba…

… a mulher sente-se forte, vigorosa e muito atenta: ela sabe exatamente o que não faz bem. A mulher na idade da loba não quer perder tempo com bobagens, coisas sem sentido, sem propósito. Ela é emancipada, menos passiva, ainda mais bonita, mais feliz porque é autêntica, e conhecedora da própria verdade. A maturidade traz a delícia de não se preocupar tanto com o julgamento alheio, e urgência em realizar vontades. Viver a vida com intensidade é tudo o que uma mulher a partir dos 40 deseja, e por isso ela sabe dizer “sim” e “não” como nunca, da maneira mais adequada para ela. Ousadia e cautela, tranquilidade e inquietação… opostos também definem essa mulher…

Essa foi a leitura que fiz de uma de nós, que acabou de completar 40. Raissa Saldanha, de Recife, é uma leitora querida do Trololó de Mulher. Tive a honra de ela ter concordado em publicar um texto/desabafo íntimo, que ela escreveu num momento de explosão de sentidos, desejos, inquietações e constatações. O texto é de muita lucidez e maturidade, e revela uma mulher inteira, forjada pela experiência que acumulou até aqui, prontinha para o melhor que está por vir. Eu, que aos 38 estou orbitando por essa fase, me senti inspirada por ler uma mulher conectada com ela mesma, norteada pelo amor à vida, às pessoas mais caras para ela, aos momentos íntimos e valiosos, às relações verdadeiras, ao ter o essencial. Tudo isso certamente faz a Raissa fazer escolhas mais conscientes, alinhadas com sua verdade. Não duvido do quanto isso reverbera numa vida muito mais significativa, leve e feliz….

Afinal de contas, para onde estamos indo? Pouco importa. Delícia é viver apreciando a jornada. Raíssa já se deu conta disso, oh:

COMPORTAMENTO FEMININO-IDADE DA LOBA

Imagem: ·BigGolf· via Foter.com / CC BY-NC-ND

Sobre Fazer 40 Anos

“Tenho andado pensativa esses dias…. venho de tempos difíceis, de perdas e recomeços. Os últimos anos foram intensos, cheios de surpresas. Boas e ruins. Em uma semana, chego aos 40. Aos fatídicos 40 anos. Pra quem é mulher, uma data ingrata. Pra quem tem um marido mais novo, pra quem ainda não teve filhos, pra quem ainda não se sente realizada profissionalmente, uma data ainda mais pesada. Achei que passaria incólume por esta fase… Mas não deu.

As reflexões são inevitáveis, as decisões também. Aos 40, já vivi muito. Tenho muita história pra contar, mas ainda me sinto jovem. Ainda me sinto insegura, desprotegida, sozinha. Perdi muitas referências, muito apoio. Sabe aquela história de se imaginar com 40 anos, quase uma avozinha? Com a vida toda arrumada? Casada, com filhos, apartamento quitado, profissão em dia. Não veio. Muitas vezes, ainda acho que sou uma adolescente. Ainda quero colo, ainda preciso de ajuda. Tenho medo e muitas dúvidas. Muitas vezes não sei que caminho tomar, o que fazer. Não sei o que quero. Mas já sei o que não quero.

Chegar aos 40 tem me feito pensar. Estou na metade da minha vida. No começo de uma boa parte dela, a ser dividida com o homem que escolhi, com o homem que amo <3.  Acompanhada por amigos e pela família, com tudo de bom e de ruim que vem no pacote. Ainda não cheguei onde queria, nem sei se chegarei. Não sei nem o que quero. Mas sei o que não quero. E, mais importante, sei o que preciso. Preciso estar em paz.

Sei que sou uma pessoa que FAZ QUESTÃO… de estar, de comparecer, de acreditar, de ver. Não faço questão de ter, faço questão de sentir. De viver. De dormir cedo, de criar e manter laços, de curtir a cidade. De comer bem, de viajar, de ver um filme, de caminhar na praia. De levar as crianças ao cinema, ao museu, à festinha. De atravessar a cidade para ver uma amiga querida. De comparecer ao aniversário da tia, da avó, da vizinha, da prima, da amiga. De tomar um café olhando nos olhos. De saber como foi o dia de todos.

Hoje reconheço decisões erradas, e os motivos por trás delas. Reconheço de que e do que preciso para viver. Ainda tenho muita vida pela frente. Ainda tenho a curiosidade, a alegria, a satisfação. Reconheço valores e pessoas. Sei quem e o que quero no meu dia a dia. A história de cada um é a história de cada um. Estamos aqui pra sermos felizes, com tudo o que a vida trouxer. O que me cabe, tento fazer. Os que me são raros, tento ter por perto. Tento selecionar a energia, canalizar a boa, evitar a ruim. Correr léguas de quem suga minhas forças.

O melhor de chegar aos 40 é reconhecer o instinto de preservação. Preservar-se de situações, coisas, pessoas. Saber que não vale a pena machucar-se. É preciso RECONHECER MEUS LIMITES. Cada um tem os seus. É preciso buscar ser feliz.

Ainda tenho muita vida pra viver. Essa mesma vida que me atropela em acontecimentos, sem que eu consiga imaginar o script. Essa vida que me parece tão difícil, tão confusa, mas que amo tanto. Não tenho mais tempo de permanecer em pessoas, situações, histórias que não tragam paz. PAZ para os dias, as noites, os momentos. A tranqüilidade de quem busca ser uma pessoa melhor.

A maturidade dos 40 é, por fim, boa. Traz com ela uma responsabilidade ainda maior. Mas é muito libertadora. A vida está aí. O que vou fazer (ou continuar fazendo) com ela depende de mim. E da forma como lido com ela.

Que venham os 40. E que Deus me ajude a encontrar sempre um sorriso, um abraço, uma noite de sono tranqüilo. Não quero muito, não quero o estrelato. O que me importa é aquela velha tranqüilidade de quem consegue viver – ao menos metade – da vida que quer ter.

Salve a idade da loba!

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2 comentários sobre “Quando a vida recomeça aos 40, na idade da loba…”

  1. Claudia Nobrega comentou:

    Amei o texto de Raissa !
    Em pensar que ela é minha vizinha . Que felicidade !

  2. Elza Roxana Álvares Saldanha comentou:

    Excelente,mas não esperava menos de minha filha Raissa. Ela sempre foi muito madura e sensata, Qualidades estas que somadas à inteligência, beleza e bondade fazem dela uma mulher extraordinária.
    Nem sempre existem Raissas , mas quando existe uma, é uma sorte tê-la ao redor de si.
    Muitos beijos, querida filha.

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