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A obesidade infantil não é fofinha: saiba como mudar isso.

Não é raro a gente encontrar crianças que, nitidamente, sofrem com a obesidade infantil, e esse quadro atinge os pequenos cada vez mais cedo. Onde estamos errando e como reverter essa situação? Neste post, rico em esclarecimentos e orientações dados pela Rachel Francischi, Nutricionista de São Paulo – SP, vamos descobrir quais as mudanças de hábitos necessárias para prevenir a obesidade na infância, ou contribuir para que isso não se desenvolva na vida adulta. A verdade é que de acordo com a especialista, já na gestação é preciso tomar alguns cuidados bastante importantes, mas isso também não quer dizer que não possamos realizar mudanças na rotina da família desde já, tudo pra que reverbere positivamente na vida da cria.

O assunto não é novidade, é verdade. Muito se fala em vários meios de comunicação a respeito desse mal, que não atinge apenas o Brasil. Mesmo com tantos alertas e força de trabalho envolvendo os profissionais da área como médicos pediatras, nutricionistas e nutrólogos, cada vez mais vemos pequenos acima do peso. Rachel confirma essa nossa suspeita e alerta para pesquisas feitas nos últimos 20 anos, que apontam mesmo para esse crescimento, onde a constatação é de que meninos e meninas estão mesmo mais gordinhos.

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Imagem: Ah Wei (Lung Wei) via Foter.com / CC BY-SA

Várias causas podem ser apontadas, mas Rachel atribui a qualidade da comida brasileira como sendo a principal, já que devido a atual falta de tempo, cada vez mais se cozinha menos. A notícia nada boa é que houve um aumento no consumo dos produtos ultra processados. Para que a gente entenda bem isso, Rachel explica que “há quatro categorias de alimentos. A primeira é a de alimentos naturais, que são os alimentos que a gente encontra numa feira livre, por exemplo. São frutas, verduras, legumes, ou seja, que não tiveram manipulação pela indústria. Depois, há a categoria dos alimentos que usamos para o preparo desses alimentos naturais, que são o óleo, sal ou açúcar, por exemplo, e que se usados com equilíbrio, dentro de preparações caseiras, dificilmente vamos ter problemas com o excesso desses ingredientes. Depois, temos duas categorias a mais, sendo uma delas a de alimentos minimamente processados, que são leite, queijos, macarrão, farinha, que passaram em alguma medida por uma transformação dentro da indústria, e por isso o Ministério da Saúde nos aconselha a consumir esses alimentos com moderação. E, finalmente, uma quarta categoria de alimentos, que são os produtos ultra processados: salgadinhos, refrigerantes, biscoitos, bolachas, macarrão instantâneo, ou seja, toda uma série de alimentos com altíssimo teor de calorias, de gorduras, sal e/ou açúcar, além de aditivos químicos. O consumos destes alimentos aumentou expressivamente na população brasileira, especialmente no grupo infantil”, esclarece nossa consultora.

Some-se a isso o fato de que pouco se come em família, sentados à mesa, o que valorizaria mais o ato de comer e, como acréscimo negativo, as crianças estão ficando cada vez mais sedentárias, paradas em casa em frente a dispositivos eletrônicos os mais diversos, quando deveriam estar correndo, brincando, se exercitando. Como reverter essa situação? A verdade é que o trabalho deve começar quando o bebê é ainda muito pequeno, e está na barriga da mãe. Segundo Rachel, o que a mãe come, por exemplo, interfere no sabor do líquido amniótico, portanto se a mãe come guloseimas em excesso, o gosto dele fica açucarado e começa aí a formação da paladar da crainça; o tipo de parto também conta, já que o vaginal promove o desenvolvimento de bactérias no intestino do bebê que, mais tarde, podem prevenir doenças como a obesidade ou diabetes, e que também estimulam a saciedade. Os estudos são recentes mas já há evidências de que as bactérias saudáveis no corpo da mãe passam para o bebê e isso vai interferir positivamente em sua condição geral de saúde, e a mãe desenvolve essas bactérias saudáveis quando ela tem uma alimentação o mais natural possível. Além do mais, quando nasce, o aleitamento materno contribui para esse processo positivo no desenvolvimento da saúde da criança, pois estimula a sucção, obrigando o bebê a realizar um trabalho com sua mandíbula, o que vai ser muito importante adiante para o trabalho da mastigação. Além do mais, acrescente o fato de que o leite materno é sabidamente o alimento mais completo para o bebê, desde nutrientes até elementos imunológicos. E, como o leite muda o sabor constantemente, vai contribuir ricamente para o desenvolvimento do paladar do bebê. Quando chegar a época da introdução alimentar, é importante que esse estímulo seja mantido, prestando-se atenção ao que é oferecido aos pequenos, e a variedade de sabores naturais. Entretanto, Rachel faz um alerta e avisa que “nada adianta fazer isso tudo perfeito e, aos dois anos, a criança começa a consumir refrigerante e demais alimentos ultra processados, pois tudo isso vai estragar o paladar infantil, porque eles são mesmo muito mais palatáveis, e vai por água abaixo toda essa formação do paladar”. Em outras palavras, a especialista afirma que é preciso solidez e constância nesse processo, e que tudo isso seja feito com envolvimento de toda a família, não apenas com a criança.

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Infelizmente, o que tem acontecido é que nas famílias não se enxerga esse processo como uma oportunidade de educação alimentar na vida das crianças, e oferece-se qualquer coisa a elas, apenas com o intuito de saciá-las. Criança saciada não significa que ela esteja bem alimentada e nutrida, tanto é assim que há casos de crianças com excesso de peso, e que também são desnutridas. Rachel explica que calorias, gorduras e açúcares saciam a criança, mas não nutrem o seu corpo, e isso pode ser um fator desencadeante da obesidade, e bastante sério, se isso acontece com frequência na alimentação dos pequenos.

Fazendo certo desde o início…

Qual mãe não esbarra na necessidade de voltar ao trabalho antes dos 6 meses da criança, período mínimo recomendado pelo Ministério da Saúde para o aleitamento materno? Muitas mães recorrem a fórmula infantil antes disso, mas se há leite no peito da mãe, não há necessidade de interromper esse processo uma vez que o leite materno pode, sim, ser congelado, e sem prejuízos nutricionais. Assim, crianças em fase de aleitamento exclusivo e mesmo as que já estão com alimentação complementar não precisam deixar de tomar o leite materno porque a mamãe voltou a trabalhar fora de casa. Rachel orienta que o leite permanece na geladeira por até 12 horas, e no congelador ou freezer por até 15 dias. Depois que a mãe tira o leite, ela deve guardar em frascos de vidro (apenas vidros!) previamente fervidos. Na hora de servir para o bebê, o leite deve ser amornado em banho maria, e não pode ferver. Até os 6 meses esse é o único alimento do bebê, em livre demanda e, após isso, esse leite complementa a alimentação natural que aos poucos será introduzida.

Há casos que o bebê desmama do leite materno, seja antes ou depois dos 6 meses de vida. Neste caso a mãe precisa, sim, oferecer uma fórmula infantil, que é o que conhecemos como leite artificial. E neste caso, não adianta usar leite de arroz ou cereais, pois eles não têm o teor de proteína que a criança necessita. O fato é que a criança precisa de algum tipo de leite, o de fórmula ou o de vaca, mas precisa, e aqui Rachel recomenda a leitura de seu artigo Mitos e Verdades sobre o Leite de Vaca, a fim de esclarecer bem qualquer dúvida a respeito.

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Via Michael Stern via Foter.com / CC BY-SA

Quando é que perdemos o prumo?

Nem precisa ser expert pra gente observar que em algum momento as famílias se perderam no processo de educação alimentar das crianças, e o resultado não é dos melhores, com crianças acima do peso, alimentando-se em excesso dos itens que já sabemos que favorecem a obesidade infantil. Para Rachel, escolhas da mãe quanto a alimentação saudável na gestação e o parto normal via vaginal fazem, sim, bastante diferença para um bom início do desenvolvimento da boa saúde da criança. Aleitamento materno e introdução alimentar com comida natural e variada, sem a desnecessária adição de açúcar também. Entretanto, para além disso está o comprometimento de toda a família, e não apenas da mãe.

Um ponto bastante importante pra não perder o prumo nessa jornada com a criança, e que pouco se chama a atenção, de acordo com Rachel, é que a família esteja atenta na hora da refeição para o que se conversa nesse momento. É preciso observar como é a relação familiar: há brigas, discussões? Quem cuida dessa criança força o pequeno em algum sentido? Há ofertas de guloseimas com frequência? Outro ponto importante: do que é composta as compras de gêneros alimentícios dessa família? Salgadinhos, refrigerantes, biscoitos, bolachas, doces, confeitos, iogurtes açucarados… como desejar que uma criança queira comer fruta se aqueles tipos de alimentos fazem parte da rotina dela? Outro aspecto na rotina de uma criança que pode favorecer seu desejo pelos alimentos ultra processados é sua exposição em excesso à TV, onde a mídia o tempo todo cria condições para que essas crianças sejam induzidas a desejarem esses tipos de alimentos através das propagandas direcionadas a elas.

Portanto, o que Rachel pontua é que cabe à família proteger a cria de todo esse ambiente e circunstâncias que favoreçam um mau relacionamento da criança com a comida, procurando evitar o ganho de peso dos pequenos, e toda uma série de complicações na saúde que vêm junto a esse fenômeno.

Como ensinar a criança a comer bem?

Já ouviu alguém dizer que quem oferece doce, oferece amor? Eu já e, de certa forma, compreendo. Quem é que não acha doce gostoso? Mas é preciso estar muito alerta pra isso, porque justamente quando os pequenos estão formando o seu paladar, oferecer alimentos açucarados pode colocar tudo a perder. De acordo com Rachel, “o consumo excessivo de açúcar está relacionado tanto ao aumento dos níveis de açúcar no sangue, quanto a predisposição ao Diabetes, assim como ao aumento nos casos de obesidade. E além disso, há aumento do risco de doença cardiovascular, aumento de colesterol, e casos de hipertensão, e por isso crianças até 2 anos não devem ser expostas a alimentos açucarados”. No consultório e oficinas conduzidas por Rachel, de acordo com nossa consultora, há casos em que até foi possível reeducar o paladar de adultos, mas se já começa saudável desde criança, é muito mais fácil conduzir o hábito da cria até que ela cresça. Então, Rachel recomenda: criança não precisa que coloque açúcar no chá, abacate, mamão ou água (quando ela cai), como se costuma fazer. Toda essa exposição é desnecessária e vai, inevitavelmente, intereferindo no paladar de maneira inadequada.

Educação começa pelo exemplo.

Comer bem tem sido desafiador para muitas famílias hoje em dia. A verdade é que virou discurso comum que a vida anda em correria, e por isso cozinhar a própria alimentação virou algo raro. Como consequência desse novo comportamento da vida moderna, houve a troca dos alimentos naturais pelos industrializados, e a família não se reúne à mesa para as refeições. Pais comem mal e estão com sobrepeso, amargando taxas altas e vida sedentária. Que exemplos estamos dando aos pequenos? Rachel alerta para o fato de que o que se faz dentro de casa, é o que as crianças vão seguir e, de acordo com estudos a respeito da formação do paladar infantil, a genética influencia muito menos no gosto dos pequenos por alguns alimentos do que fatores sócio culturais. Ou seja, importa muito mais é que as crianças sejam expostas aos alimentos certos, que elas vejam esses alimentos em casa mesmo, e que observem seus pais consumí-los. Importante também é não desisitir, então se queremos que a beterraba seja consumida pela cria, por exemplo, devemos oferecer o alimento em formas variadas, até que um dia ela seja aceita. Pessoalmente, engrosso esse coro, porque somente agora aos quatro Artur aceitou comer peixe, e isso só aconteceu porque eu não desisti. Rachel finaliza sua observação a respeito do comportamento dos pais chamando atenção para o fato de que tão importante quanto dar o exemplo consumindo esses alimentos, também vale muito a pena envolver os pequenos na aquisição e preparo deles. Há um detalhe importante também a ser observado: subornos, chantagens e ameaças à mesa não são bons caminhos a serem trilhados durante a formação de hábitos alimentares dos pequenos. Fica a dica!

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Via Foter.com / CC0

No final das contas, o que influencia?

Há vários fatores que podem influenciar o desenvolvimento da obesidade infantil, outros nem tanto. A seguir Rachel esclarece algumas questões importantes:

1 – Sobrepeso na gravidez:

Não há relação entre uma coisa e outra. Importante é que a mãe mantenha-se ativa e esteja alimentando-se bem.

2 – Desmamar do peito antes dos 6 meses:

Sim, se uma criança mama exclusivamente no peito até pelo menos 6 meses, ela está melhor protegida do desenvolvimento da obesidade infantil. Pesquisas apontam para o favorecimento do surgimento de bactérias saudáveis no intestino da criança através do consumo do leite materno, coisa que não há garantia de surgir quando a criança é alimentada com leite artificial. São essas bactérias responsáveis por gerar os neurotransmissores da saciedade da crainça.

3 – Dar papinha antes dos 6 meses:

Não há relação, até porque em alguns países a orientação é iniciar a introdução alimentar aos 4 meses. O que acontece, de acordo com Rachel, é que já foi feito um estudo na década passada com crianças que mamaram até os 4 meses exclusivo, e com as que foram até os 6 meses, e foi esse estudo que alterou a recomendação para avançar dois meses com o aleitamento materno exclusivo. O estudo identificou que crianças que mamam de maneira exclusiva até os 6 meses têm o sistema imunológico mais fortalecido, portanto adoecem menos.

4 – Dar comida para consolar choro:

Isso pode ou não influenciar, e na verdade depende da criança. Há pequenos que estando tristes e chorosos, não aceitam consolo em forma de comida. Outros, sim, o que mostra um prazer maior ligado ao ato de comer. O problema é que, como observa Rachel, ninguém oferece brócolis a uma criança que está chorando para desviar sua atenção da razão do choro, não é? Mas salgados e demais guloseimas, sim. Neste momento, há aí um reforço negativo na formação do paladar infantil, e é preciso acender o sinal de alerta.

5 – Desistir dos alimentos saudáveis na primeira negativa do bebê:

O bebê vai negar alguns alimentos, sim, e é muito importante que não se desista de continuar tentando. O que acontece é que as famílias vão desisitindo muito rapidamente, e não que isso leve a obesidade infantil, mas pode levar a uma pobreza na variedade do que é oferecido pra criança. Rachel chama atenção para o fato de que se o bebê não aceita determinado tipo de alimento, tudo bem se ele aceita outro. Então importante mesmo é oferecer variedade. Enquanto se tenta um alimento de várias formas, ela aceita outros, e está ok. O que não pode, mesmo, é desisitir de refeições saudáveis: pizza, sauduíche, salgadinhos, fast food… tudo isso, com frequência, leva, sim, à obesidade infantil. A verdade é a seguinte: quem não gosta de alimentos como esses? Apenas precisamos ficar muito atentas a frequência com que eles são consumidos, alerta a Rachel.

6 – Adoçar o suco da criança:

Isso interfere na formação de um paladar mais adocidado, e o que é observado hoje em dia, de acordo com Rachel, é que as crianças pararam de aprender a tomar água. Crianças têm bebido menos água, mas suco o tempo inteiro, e essas bebidas têm açúcar natural. Além do mais, as famílias costumam colocar açúcar refinado nesses sucos, o que os torna tão nocivos quanto o refrigerante.

Proibir certos alimentos é a saída?

A criança que está sofrendo de sobrepeso muitas vezes é alvo de bullying, tanto em casa quanto na escola, ou com parentes. Rachel alerta que isso traz consequências trágicas para a autoestima dela, então é preciso dar muita atenção a forma como essa criança é abordada quando ela recebe o diagnóstico de sobrepeso, e definitivamente não é lembrando o tempo todo para o pequeno que ele está acima do peso, que não pode comer certos alimentos e TEM que comer outros, que ela será ajudada nesse processo. A melhor forma de lidar, ensina nossa consultora, é com muita leveza, e mudando todos os hábitos da família, e não apenas os dela. O quanto de refrigerante a família consome? O quanto de guloseimas essa família coloca no carrinho do supermercado? A família frequenta parques para proporcionar momentos ao ar livre para todos? Poranto, toda a família deve ser envolvida no processo de ajuda ao pequeno a perder peso, o que no final das contas vai beneficiar a saúde de todos. Além do mais, é preciso trabalhar a autoestima dessa criança, tecendo elogios que não dizem respeito apenas ao corpo, já que a sociabilidade da criança, sua inteligência, educação e boas maneiras são passíveis de elogios também.

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Um comentário sobre “A obesidade infantil não é fofinha: saiba como mudar isso.”

  1. Rosana de Mello comentou:

    Excelente matéria, informação relevante que só tem a beneficiar não só as crianças mas toda a família.
    Parabéns.

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