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Dá pra ser feliz após o divórcio?

Que o divórcio é um processo dolorido, disso ninguém duvida. Talvez por isso muitas mulheres evitem o fim de um relacionamento, isso a qualquer custo. Neste post você verá um relato real de quem passou por isso, e como ela superou. Houve muita tristeza, sim, mas também muitas descobertas e superação. A gente vai descobrir, através desse depoimento e da consultoria da Daniela Carneiro, Psicóloga de São Paulo, que há maneiras de se reinventar, que isso é perfeitamente possível e, o melhor, que pode ser bastante prazeroso. Confira!

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Imagem: Moyan_Brenn via Foter.com / CC BY

Sempre que a gente escuta falar que um casal se divorciou vem logo aquele sentimento de lamentação. Já percebeu que nas redes sociais, quando um relacionamento famoso se rompe, todo mundo sofre junto? É uma comoçao total, sobretudo entre as mulheres. Todo mundo sempre se pergunta se não daria para salvar aquele relacionamento, o que teria acontecido, afinal, para que uma união tão estável fosse por água abaixo. Diante de um sentimento desse generalizado, quem vê seu casamento acabar carrega o sentimento de culpa e fracasso, pensando que não fez o suficiente para manter a relação de pé. Mas será que todo relacionamento tem chance de ser salvo? Segundo Daniela, “depende da natureza do problema e do amadurecimento da relação. O Ideal seria antes de qualquer separação o casal analisar as possibilidades e as motivações para tal decisão, empenhando-se em manter um relacionamento saudável apesar das adversidades. O diálogo sincero e aberto ajuda o casal a se sentir mais próximo e quando isto já não é possível, acredito que o término da relação é a melhor forma de evitar mais sofrimento, principalmente para os filhos”.

Trololó de Mulher >>> Como uma mulher pode lidar com a dor do final de um casamento quando ela não queria que houvesse esse fim?

A melhor forma de lidar com o fim do relacionamento é fazer uma reflexão para:

_ Analisar os prós e contras da relação rompida.

_ Entender o sentimento de culpa, raiva, medo e expectativas.

_ Lidar com seus próprios limites.

_ Conhecer suas necessidades em um relacionamento amoroso.

_ Identificar em si seus verdadeiros desejos.

_ Aprender a não se deixar influenciar por situações que verdadeiramente não acredita, ou seja, ser coerente com as próprias emoções e sentimentos.

_ Ir à busca de seus ideais com autenticidade.

_ Fortalecer a sua autoestima e encorajamento frente às dificuldades afetivas.

_ Aprender sobre si mesma e aceitar mudanças.

_ Cultivar o otimismo e a motivação, se estruturar em si mesma e, por consequência, isto se estenderá para suas relações.”

 

“Não posso reclamar da vida, óbvio que não foi bom passar por tudo aquilo, mas sou eternamente grata pela pessoa que sou hoje…”

 

Tudo começou, ou melhor, terminou em 2008. Era um dia de sol maravilhoso e estávamos no carro prontos para viajarmos com outro casal de amigos, até a casa de nossos familiares, quando eu lembrei que precisava pegar algo na minha mochila e abrir o portas malas. Na pressa, por acidente, derrubei no chão da garagem a mochila do meu ex. Entre tantas folhas, cadernos e livros que saíram de lá, uma foto colorida tamanho A4 chamou a minha atenção, era o meu ex, na época meu marido, abraçado com outra mulher.

Naquele momento, pela primeira vez na vida tive a famosa sensação: “abriu-se um buraco sob os meus pés”. Meu ex foi meu primeiro namorado, a pessoa com quem eu tinha começado a minha vida amorosa, e com quem eu pensava, até então, que passaria o resto da minha vida. Hoje, olhando para trás, vejo o quanto fui ingênua, mas ali era como se nada mais tivesse sentido. Mas a viagem tinha que continuar e os outros que estavam dentro do carro não suspeitavam do acontecido, e eu, em um primeiro momento fiz cara de contente, coloquei um sorriso forçado no rosto e arrumei forças, que eu não sabia que tinha, para continuar aquela viagem. Não durou muito e o sorriso desbotado transformou-se em lágrimas, quentes, densas e amargas. Dei como desculpas uma dor de cabeça. Foi a viagem mais longa da minha vida.

Três meses após esse episódio assinamos o processo oficial de divórcio. E assim acabava uma relação de 13 anos.

A sensação de perda e desorientação era tremenda, eu não sabia o que fazer da vida, naquele momento eu não trabalhava e morava em outro Estado, longe da minha família e amigos mais próximos. Lembro claramente de um episódio: eu deveria ir a um certo lugar que eu conhecia bem e peguei o ônibus errado 3 vezes, e ainda assim, desci na parada errada. Isso para não falar de todos os bloqueios, temores emocionais e questões práticas que envolviam a questão.

Em meio a tanta dor, ali, as únicas coisas claras em minha mente eram: 1 – Eu não merecia passar por aquilo; 2 – Quem sairia perdendo daquela relação era ele. Hoje analiso que aquilo era o meu mecanismo de defesa que me dava uma mãozinha para seguir em frente, e ainda bem que ele existia.

O recomeço não foi fácil, mas se tem uma coisa que foi essencial em todos os sentidos foi saber que eu podia contar com a minha família, parte da família dele e com os meus amigos. O suporte deles fez toda a diferença e até hoje não consigo encontrar palavras para descrever o quanto amável eles foram. Isso me ajudou a trocar de Estado e voltar a viver perto de todos; recomeçar uma nova vida dividindo apartamento com a minha irmã; tentar uma nova profissão, na época eu não sabia bem o que queria fazer, e a minha ex sogra me ajudava vendendo bolsas customizadas que eu fazia como forma de manter a mente ocupada.

Penso que o fim de cada relação amorosa é diferente, e só quem já passou por uma sabe como é realmente lidar com todos os desafios que são colocados a nossa frente. E às vezes eles são cruéis, eu lembro, que no meu caso, além de toda a barra que era passar por aquilo, com as clássicas questões como: mas porque eu? O que ela tem que eu não tenho? Onde foi que eu falhei? Será que eu deveria tentar reconquistar essa pessoa e recomeçar? etc., uma coisa me marcou bastante: ter o meu primeiro encontro velado com o machismo.

Naquele período eu não estava trabalhando, mas sempre gostei de estudar, casamos muito cedo e como consequência toda a nossa vida acadêmica ocorreu enquanto estávamos casados, logo, universidade, cursos, congressos, era uma coisa que fazia parte de nossas vidas. Éramos um casal exemplar; estávamos quase sempre juntos; nada de brigas; as festas com os amigos eram quase sempre na nossa casa; etc. e quando eu tive que contar para todos que nossa relação tinha acabado, tristemente, ouvi muitas vezes as seguintes perguntas: “o que é que tu aprontaste?” Mas também, “vivias estudando, né?” “Mas o que pensavas? Ele é homem, minha filha, caiu em tentação”.

O que é que eu aprontei? Hoje, sim, eu teria na ponta da língua a resposta para essa pergunta, mas naquele momento, eu que já estava por baixo, me afundava ainda mais, com o peso da culpa por ter sido traída. Como se o fato de eu ter dedicado parte do meu tempo para estudar fosse o responsável pela falta de consideração e caráter do outro. Se você pensar nisso com calma vai ver que é um mecanismo muito perverso, onde as mulheres são em primeira instância vistas como culpadas pelo fim das ruas relações, “seja porque não foram boas o suficiente para segurar” as almas penadas que passaram por suas vidas, seja porque foram orgulhosas e não quiserem perdoar e recomeçar, etc. Mas uma relação não é formada apenas por uma pessoa, não é mesmo? Logo, a culpa não pode ser jogada apenas para um dos lados, embora quase sempre a nossa sociedade machista culpe apenas as mulheres.

Nesse ponto, uma coisa que me ajudou bastante foi ter procurado apoio psicológico de um profissional. Lembro que nas primeiras sessões da terapia eu não conseguia falar, pagava a uma terapeuta para me ouvir chorar por uma hora. Hoje dou risadas da situação, penso que minha história daria uma boa novela mexicana. Mas naquela ocasião, acredite, eu levava tudo aquilo muito a sério.

Vocês devem estar se perguntado como eu estou agora, não é mesmo? E a resposta é: melhor impossível! Encontrei outros amores, acabei e recomecei outras relações, troquei de empregos, profissões, lugares, e até de sonhos. A coisa que sempre me ajudou e ajuda é ter como filosofia que: “não posso entregar minha vida para ninguém”, logo, não seria justo deixar uma relação que acabou mal levar minha possibilidade de ser feliz outra vez.

Talvez pensar o fim de uma relação como uma possibilidade de recomeço, de reencontro comigo mesma tenha sido a minha sorte. Não posso reclamar da vida, óbvio que não foi bom passar por tudo aquilo, mas sou eternamente grata pela pessoa que sou hoje; pelo companheiro de vida maravilhoso com quem recomecei a minha vida amorosa; por sempre ter pensando em mim mesma e ter investido na minha educação e sonhos pessoais, e pelo amor das pessoas que me querem bem.

De toda a situação ficou uma lição enorme, a dor não é prazerosa, mas pode ser uma oportunidade para recomeçar, e às vezes, ainda melhor. Eu hoje sigo em frente de cabeça erguida, consciência tranquila e com muito amor no coração. Continuo dando “graças à vida que me tem dado tanto.” – depoimento anônimo.

 

Trololó de Mulher >>> O que pode ajudar, na rotina do dia a dia, uma mulher que sai de um casamento e recomeça a vida sentindo-se perdida?

Cuidar de si, sua  aparência, sua saúde física e mental. Se possível mudar a disposição dos móveis da casa, isto ajuda a dissolver lembranças do passado e renovar o astral. Assim como desfazer de objetos ou fotos que trazem emoções negativas. Renovar o guarda-roupa e inovar o visual. Procurar os amigos ou fazer novas amizades. Participar de cursos, grupos que lhe agrade e lhe traga novos desafios e aprendizados. Buscar um acompanhamento psicológico para suporte imediato, conversar, desabafar e obter a escuta acolhedora de um psicólogo pode ajudar a elaborar mais rapidamente os sentimentos de raiva, angústia e culpa.”

 

Trololó de Mulher >>> Por que, para algumas mulheres, é tão difícil aceitar sua nova condição?

A dependência emocional pode ser mais forte nestas mulheres e também a preocupação em satisfazer os ideais e expectativas de outras pessoas. Existe uma dificuldade maior em lidar com a perda e com todos os sentimentos relacionados à separação.”

Trololó de Mulher >>> Medo da solidão… como lidar com ele?

Tudo depende da forma como você encara as situações de perdas. Têm-se a tendência em criar uma sentença que ficará sozinha para sempre, e se isto for muito terrível no seu ponto de vista, existe boa parte de chance de você evitar os amigos e possíveis namorados. Isto porque demonstra que está com muito medo de se relacionar novamente e sofrer. A melhor forma de lidar com a solidão é aceitar o momento importante a ser vivido para reflexão de suas próprias escolhas, e determinar um novo sentido para sua vida.”

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Daniela atende em São Paulo, em consultório particular na Vila Mariana. Você pode realizar contato com a Psicóloga através do número (11) 97670-2066 ou e-mail: consulta@danielacarneiro.com. Veja mais informações acessando o site dela, clicando aqui, ou o blog que ela atualiza com conteúdo riquíssimo, clicando aqui. Daniela também está presente no Facebook, e você pode curtir sua página e acompanhar suas atualizações clicando aqui. Informe-se!

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2 comentários sobre “Dá pra ser feliz após o divórcio?”

  1. Cely comentou:

    Matéria forte, que com certeza vai mexer com o coração de muitas leitoras.

  2. Lenira comentou:

    Queria poder demonstrar o quanto esse depoimento me deixou emocionada. Senti raiva, tristeza e por fim um grande orgulho por sua superação .

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