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Mãe de menino, a cultura do estupro é da nossa conta, sim!

Ficamos chocadas mês passado com a notícia da violência sexual sofrida por uma adolescente no Rio de Janeiro, cometida por dezenas de estupradores. Veio à tona a discussão em massa a respeito da cultura do estupro, e passa por isso tudo o papel fundamental que as mães de menino (eu, inclusive) têm na educação dos filhotes, justamente para desconstruir, no longo prazo, a ideia de que homem pode objetificar o corpo da mulher. Isso é muito sério! Muitas vezes nós, mulheres, contribuímos para que o machismo seja perpetuado, e nossos meninos crescem com ideias distorcidas e sem respeito algum com relação às mulheres. Precisamos conversar sobre isso, porque esse assunto é da nossa conta, sim.

A sugestão para essa pauta no blog foi dada por uma leitora querida, a Ethel. A gente acredita que informção conta, não é verdade? Mais uma vez fico muito grata pela oportunidade de mostrar que o Trololó de Mulher está a serviço de todas nós, para compartilhar informação relevante e de qualidade. Por isso, convidei a Psicóloga Marcela Ondei, de São José dos Campos (SP), que é Especialista em atendimento clínico infantil, e pedi a ela que respondesse a seguinte pergunta da Ethel:

MATERNIDADE-MAE DE MENINO-EDUCACAO INFANTIL-COMPORTAMENTO INFANTIL-EDUCACAO DE MENINOS-CULTURA DO ESTUPRO-ESTUPRO

Fonte da Imagem: Abhijit Chendvankar via Source / CC BY-NC-ND

O que as mães de meninos poderiam fazer na educação deles para que não se perpetuasse a cultura do estupro?

A boa notícia é que Marcela respondeu, e nos dá valiosas orientações a respeito. Acompanhe:

Com a polêmica do estupro coletivo, muitas mães sentem dúvidas de como educar seus filhos (meninos) para que isso não repercuta na vida deles. E mãe de meninas também sentem-se inseguras em explicar essa polêmica à elas. Diante disso, buscarei, em poucas palavras, dar dicas para essas mães, a fim de tranquilizá-las ou, até mesmo, ajudá-las a lidar com essa situação.

Bom, acredito ser interessante começar falando um pouquinho do perfil do estuprador para que possamos entender melhor o assunto abordado. A intenção de um estuprador é agredir, humilhar e ferir a outra pessoa. Ele não consegue controlar o desejo sexual, devido à uma possível lesão no lóbulo frontal, onde se localiza o comando racional. Porém, além dessa lesão no lóbulo frontal, existem outros fatores que podem desencadear a ação do estupro, tais como: estresse, conflitos familiares, desemprego, imaturidade… e por aí vai. Como vimos, não são apenas fatores externos que desencadeiam a ação do estupro. Os fatores internos também podem influenciar. Mas o que podemos fazer para amenizar isso? Como trabalhar isso com meu filho? Como abordar o tema com minha filha?

Bom, em primeiro lugar, friso a questão do respeito, tanto a si próprio como ao próximo. E como ensinar isso às crianças? Respeitando-a! A criança age de acordo com o que ela vivencia. Se os pais são agressivos, ela será agressiva. Se são carinhosos, ela será carinhosa. Se os pais se respeitam e respeitam os filhos, ela respeitará os pais, a si próprio e aos outros.

Mostre ao seu filho que um homem de verdade não é aquele que sai com várias mulheres, e sim, aquele que as respeitam, que valorizam seus sentimentos.

Outro fator que considero importante, é mostrar ao filho (menino) que ele pode gostar de cor de rosa, pode querer brincar de boneca, pode querer fazer aula de ballet ao invés de futebol, e que homens também choram. Sei que existem pais que acreditam que se educarem os meninos dessa forma eles podem se tornar homossexuais. Acreditem, isso não os faz menos homens. Mas os faz mais respeitosos e atenciosos ao universo feminino. Eles precisam se sentir seguros e perceber que os pais permitem que eles façam essas coisas, que não será recriminado pelo pai, avô ou tio.

Caso seu filho questione sobre sexo, seja franca com ele. Caso ele pergunte sobre estupro, explique à ele com uma linguagem adequada para a idade dele. Mostre a diferença entre sexo e estupro. Seja clara! Se tiver dúvidas sobre as perguntas, diga que precisa pensar para dar uma resposta adequada, pesquise e seja breve para dar o retorno, pois a demora pode fazer com que seu filho pergunte à outra pessoa, que poderá não responder da maneira como você quer educá-lo.

E, por último, porém não menos importante, ensine que ninguém pode tocar no corpo de outra pessoa sem a permissão dela. Você vai perceber que está no caminho certo e que educou bem seu menino quando ele estiver na fase da conquista ao sexo oposto.”

MARCELA ONDEI-PSICOLOGA INFANTIL-SAO JOSE DOS CAMPOS-SAO PAULO

Mamãe, você que é leitora do Trololó de Mulher sabe bem: informação salva! Acompanhe a Marcela Ondei em sua fanpage, pois lá ela publica constantemente informação das melhores para nos ajudar nesse trabalho difícil e diário, que é educar nossos pequenos. Clique aqui, curta e fique por dentro de todas as atualizações dela. A profissional também está no Instagram: clica aqui e se joga!

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