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Autonomia infantil: saiba quando e como estimular.

Desejamos tanto para nossos pequenos, não é? Dentre tantas coisas, queremos que eles sejam adultos responsáveis, e a verdade é que para que isso aconteça, precisamos dar nossa contribuição desde já. A autonomia infantil pode e deve ser estimulada desde sempre, e começa quando as crianças são ainda muito pequenas. Veja neste post, através da consultoria da Vívian Hagen, Psicóloga Infantil, como ajudar sua cria a fortalecer essa independência ao longo de seu desenvolvimento.

Aos 2 anos, João Raphael dá sinais de sua autonomia em franco desenvolvimento. Na hora de comer, Raphaele Santiago, mãe do pequeno, conta que ele quer usar a “colher grande da casa”, dando sinais de que quer deixar de ser “bebê”. O pequeno também quer, ele mesmo, alimentar o irmão mais novo. E mais: “ele quer chamar o elevador sozinho; ele quer escolher a roupa; ele vai sozinho no labirinto que é o nosso condomínio rumo ao estacionamento do carro, coisa que até adulto erra!!!! E se ele for em um restaurante uma única vez, e que tenha parquinho, ele decora o caminho e vai transitando entre as mesas”, conta a mãe.

RAPHAELE SANTIAGO-JOAO RAFAEL

Raphaele Santiago, com João Raphael, seu rapazinho independente de 2 anos.

Toda mãe passa por esses momentos lindos, quando presenciam, no dia a dia, as proezas dos pequenos em seu caminho de desenvolvimento. É essa independência das crianças que chamamos autonomia. “Autonomia é uma palavra de origem grega,  auto – de si mesmo – e nomos – lei. Ou seja, significa basicamente a habilidade de estabelecer sua própria lei, de agir de forma independente. A palavra autonomia, no contexto da infância, também é usada para estabelecer possibilidades de tarefas executadas sem auxilio. Podemos promover essa habilidade em nossos filhos desde muito cedo, e nas tarefas mais simples, como por exemplo: quando oferecemos a oportunidade de se alimentarem sozinhos, quando deixamos ir e vir engatinhando ou andando, quando buscam, levam ou trazem objetos, dentre outras tarefas simples. Mas já nessas tarefas mostramos a confiança, e desenvolvemos ela neles, gerando e promovendo a autonomia”, explica a Vívian Hagen. A gente já desconfia do quanto isso impacta positivamente na vida dos pequenos e como vai reverberar tão bem na fase adulta, não é? Se é isso mesmo o que queremos, precisamos começar o nosso trabalho na educação dos pequenos desde já. De acordo com a Psicóloga, é preciso estimular isso SEMPRE: “Desde cedo, muito cedo… nas primeiras habilidades demonstradas preciso agir com zelo, com cuidado, sim, mas preciso saber que preciso demonstrar confiança no desenvolvimento e no desempenho do meu filho. Passando confiança com segurança estou gerando autonomia para um crescimento seguro e saudável”.

MATERNIDADE-FILHOS-COMPORTAMENTO INFANTIL- AUTONOMIA

Imagem: susivinh via Foter.com / CC BY-ND

Trololó de Mulher >>> Que diferença ter estimulado os pequenos a serem independentes será notada no futuro?

Olha, eu vejo a autonomia como algo muito além de tarefas cotidianas. Lógico que na infância ela começa com tarefas simples. Mas não estou gerando autonomia quando estabeleço simplesmente ordens diárias a serem cumpridas, mas, no meu ver, gero autonomia quando estimulo a confiança da habilidade para executá-las com maestria. Quando eu promovo a segurança, a confiança, eu gero a cooperação, eu gero a responsabilidade, e ai sim uma autonomia verdadeiramente construída. Então… de forma simples, quando eu demonstro que confio no meu filho para desempenhar determinada tarefa, mostro a ele as habilidades que ele possui para executá-la, eu passo a confiança pra dentro dele. Ele vai para aquela tarefa sabendo que pode conseguir. Quando conseguir desempenhá-la, fortaleço ainda mais a confiança e a autonomia dele.  Agora, um ambiente seguro também dá espaço ao diálogo. Preciso deixar de impor tarefas, pois às vezes estas serão difíceis naquele momento e preciso deixar que meu pequeno se expresse. Então todas as tarefas podem sem estabelecidas em parceria.  Crianças seguras, confiantes em si mesmas e na educação que receberam, certamente serão adultos mais prontos pra enfrentar os desafios diários.”

Trololó de Mulher >>> Pegar ônibus sozinho, por exemplo, não é uma tarefa tão comum para as crianças de hoje em dia como era para os pequenos de antigamente. Além do mais, a infância tem acontecido atrás dos muros dos condomínios. Isso tudo se dá, sobretudo, pelo avanço da violência dos grandes centros urbanos. Como estimular a autonomia infantil num cenário como esse?

Realmente o cenário atual externo é de total insegurança, mas quando estamos falando de desenvolvimento dos nossos filhos a segurança precisa estar sempre em primeiro lugar. Claro que não vamos expor nossos filhos em situações onde vemos problemas eminentes para a segurança deles; mas mesmo em um ambiente inseguro, precisamos ensiná-los a agir de forma segura. Fazer com a maior atenção e segurança, possível, é diferente de não tentar e não fazer por medo do que pode acontecer. Prendê-los não é uma atitude saudável também, pois nesta atitude, implicitamente, estamos transmitindo a insegurança. Nós mesmos, ainda que cheios de cautela, não deixamos de cumprir nossas obrigações por conta de um cenário inseguro. Então é isso que temos que passar: compromisso, segurança e responsabilidade. Se conseguirmos transmitir isso através de diálogo e de nossos exemplos, estaremos ensinando a autonomia.”

Trololó de Mulher >>> Super proteção de babás ou cuidadores, dedicados exclusivamente a criança, pode impactar no desenvolvimento da autonomia nos pequenos?

O cuidado que temos com nossos filhos, ou até mesmo, o cuidado das auxiliares que contratamos, não atrapalha na desenvoltura da autonomia, a princípio. O importante é ter constância e coerência no que estamos comprometidos em desenvolver, e nada nem ninguém pode atrapalhar esse alvo. Por exemplo, se delego ao meu filho a tarefa da arrumação diária da cama, uma vez que ele já é capaz de desenvolvê-la, não posso ceder nesse compromisso. Pois é uma tarefa simples e que passa a ser responsabilidade dele. Se nossa auxiliar não respeitar esse espaço, estamos quebrando um combinado. Então, é super importante: se delegar, esse combinado precisa ser cumprido. Se ele não será tarefa diária, então precisa ser claro que em alguns dias precisaremos dessa ajuda. Mas com diálogo, amizade, bons exemplos, com palavras atentas para a promoção do desenvolvimento e da superação, e preocupadas com a cura de inseguranças naturais, não tem jeito… a AUTONOMIA acontece! E acontece de forma linda, presente, intensa, com responsabilidade, com a amizade e colaboração que estamos promevendo diariamente.”

Trololó de Mulher >>> Em que medida uma criança de 1 ano, por exemplo, pode ser estimulada?

Uma criança de um ano pode ser estimulada a ter autonomia na fala, isso acontece quando deixamos a criança se pronunciar e damos condições de cada vez ela se desenvolver mais. Na psicologia chamamos isso de Desenvolvimento proximal, que é você pegar o que a criança te oferece e ajudá-la a ir além. Por exemplo, a criança nesta fase chama bola de “bo”. Que lindo! Ela está se pronunciando, mostrando o que ela quer. Então se ela aponta esse objeto, vc pergunta: “o que vc quer?”, ela certamente falará “bo”. Ótimo! Ela se expressou! Ai é importante demonstrar que entendeu, mas falar pra ela a forma correta da palavra, “BOLA”, tentando promover o desevolvimento na fala. Na alimentação ocorre da mesma forma, podemos deixá-la se alimentar sozinha. Vai fazer uma sujeirinha, mas ela precisa disso pra se sentir capaz de se alimentar sozinha. Então, ajudamos quando ensinamos a maneira correta, mas não nos irritamos com a maneira dela. Pois dessa forma ela se sentirá segura a prosseguir se expressando de maneira natural e segura, mas em uma proposta de liberdade para se desenvolver.”

Trololó de Mulher >>> Comparar o nível de desenvolvimento de uma criança para outra pode atrapalhar?

A comparação é algo terrível na infância e isso permanece assombrando muitos adultos. Somos pessoas únicas, diferentes no exterior, acho que já pra ficar claro que não somos iguais. Podemos nos parecer em algumas coisas, mas isso não tira a beleza da nossa especialidade e individualidade. A comparação no meu modo de pensar é a raiz da insatisfação. Quando comparo ou me acho melhor ou pior. E isso é muito ruim! Pois não acho que é justo nos sentirmos melhores ou piores que ninguém. Cada pessoa possui uma história, uma trajetória de possibilidades e impossibilidades. Nem nossos filhos possuem o mesmo contexto. Ás vezes na primeira infância de um filho há um contexto econômico, uma estrutura de divisão das tarefas e tempo, uma estrutura familiar. Quando vem o segundo, o contexto não está exatamente igual. Então, independente de quantos filhos tenhamos, temos sempre filhos únicos. E quanto mais se sentirem únicos, desenvolveremos essa especialidade da liberdade de se expressarem de forma autônoma, e não segundo as orientações externas que são legais. Não comparar é um princípio básico para se desenvover a autonomia.

Trololó de Mulher >>> Qual o limite entre estimular e cobrar?

Quando estimulamos e observamos que a criança respondeu a nosso incentivo de forma autônoma, ou seja, sem precisar de nossa ajuda para concluir uma tarefa, sabemos que ela está pronta para executar aquilo. Então, quando for para executá-la da próxima vez, vamos cobrar essa autonomia. Mas essa cobrança precisa ocorrer com amor, pois se estamos cobrando é porque estamos seguros que ela consegue desempenhá-la de forma brilhante.”

Trololó de Mulher >>> Com quantos anos a criança já pode participar das tarefas da casa?

A partir de 4 anos há muitas atividades que a criança consegue participar. Mas eu prefiro não determinar idade, justamente por respeitar muito essa individualidade. Cada criança vai demostrar quando está pronta para contribuir, e se estivermos atentos, vamos perceber isso e estimular quando acontecer. Em um ambiente colaborativo, cheio de amor e amizade, que é o ambiente ideal para o desenvolvimento de toda criança, as crianças são livres, espontâneas e querem ajudar sempre. Então é lindo ver que as tarefas não são fardos a serem carregados, mas prazer em contribuir com as pessoas que ama.

MATERNIDADE-FILHOS-COMPORTAMENTO INFANTIL- AUTONOMIA[2]

Lembro que essa idade é ilustrativa, e o que vai determinar mesmo é a minha atenção na minha criança. O olhar de um pai e de uma mãe é o melhor olhar pra determinar quando se esta preparado”, alerta a Vívian.

> Comer sozinho? 1 ano, quando está em um ambiente que ela pode ser livre para aprender, mesmo errando, ou se sujando.

> Usar talheres? Acho que com 3 anos já podemos auxiliar a criança ao uso de talheres, de forma segura.

> Tomar banho sozinho? Com 4 anos a criança já consegue tomar banho sozinha, mas vale uma supervisão da higiene.

> Ir ao banheiro e se limpar sozinho? Com 4 anos acho isso possível também, mas vale a supervisão da higiene. Às vezes a criança, na vontade de continuar brincando, corre com algumas coisas importantes, então devemos estar atentos.

> Fazer a tarefa de casa sozinho? Eu acho que desde sempre a criança é capaz de desenvolver tarefas escolares sozinho. Se a escola passa a tarefa, é porque certamente está apropriada a desenvolvê-la. O que eu acho interessante é mesmo antes de nossos filhos terem tarefas na escola, já tirarmos um tempo diário para desenvolver a leitura, a arte de estar atento em uma atividade de pintura ou de colorir. Assim, quando chegar a obrigação de estar sentado e desenvolvendo tarefas, isso não será árduo, e sim prazeroso, se sentindo seguro e capaz de fazer sozinho. Sabemos que fazendo sozinho às vezes não estará tão perfeito quanto gostaríamos, mas com amor podemos expor as melhoras que podem ser feitas, e assim nossas crianças crescerão seguras e independentes.

VIVIAN HAGEN-PSICOLOGA INFANTIL-JUIZ DE FORA-MG

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