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Casar e morar na Finlândia: o amor colocado à prova!

Atitudes falam mais que palavras. Quando se está casada com um estrangeiro e há, inevitavelmente, a barreira da língua, o amor que se sente é o que comprova esse senso comum. Morar na Finlândia estando casada com um nativo tem sido o desafio pessoal vivenciado pela Daniela. Com o esposo, Daniela conversa em inglês. Com a família do amado, então, nem essa língua ela pode usar. Todos falam apenas o finlandês. Já pensou fazer isso tudo dar certo, como se não bastasse o desafio por si só de estar num país tão diferente do nosso? Não há dúvidas, contudo, que o amor pode resolver essa questão.

Neste mês, aqui no Trololó de Mulher, Adriana Minhoto nos presenteia com a história dessa brasileira que compartilha conosco seu projeto de vida numa terra tão distante, e faz a gente acreditar que amar pode nos fazer muito mais fortes e sábias do que supõe nossa imaginação. Nunca duvide disso! Confira!

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Daniela, e seu amado Markus.

“Você já pensou como seria estar casada com o homem da sua vida, mas que não fala a sua língua? Você conseguiria viver assim?

A história do casamento data-se de muitos e muitos anos atrás. Atualmente, apesar de muitas vezes ser tratado como apenas um contrato entre duas pessoas, essa vida compartilhada envolve muito companheirismo e responsabilidade.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no Brasil, o número total de casamentos em 2013 foi de 1,1 milhão, 1,1% acima de 2012. O estado onde mais as pessoas se casaram foi São Paulo e onde houve menos matrimônios foi o Amapá. Pensando nesse grande número de casamentos no Brasil, resolvi abordar esse tema aqui na Finlândia. Como é estar casado com alguém com uma cultura tão diferente da sua?

O questionamento que coloquei logo no começo do texto foi o mesmo que conversei com Daniela Kitz Aurala, uma brasileira casada há três meses com um finlandês, o Markus Aurala. Daniela e Markus estão juntos há cerca de um ano e meio e pode-se dizer que ainda estão em lua de mel aqui na Finlândia. Mas mesmo com pouco tempo de casados, ela já sentiu na pele (além do frio finlandês) como é se relacionar com alguém que não fala a mesma língua que a sua e tem uma cultura tão diferente. “Acho que a língua é a nossa maior barreira. Mesmo tendo uma língua em comum em casa, o inglês, às vezes é difícil de comunicar, as palavras faltam. Cansa não poder conversar de assuntos mais intensos. O lado bom disso é que acabo não aprofundando muito as brigas, elas são mais leves”, afirma Daniela.

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Daniela, que é extrovertida e adora conversar, conta que aqui ela ainda não conseguiu fazer grandes amizades com finlandeses. “Eles são mais fechados, mais na deles. O fato de estar casada com um finlandês ajuda no contato social, pois você acaba conhecendo os amigos dele e entra no mesmo círculo social. Além disso, tem os parentes dele, que me tratam bem, mas não falam inglês, só finlandês… rs…”, completa.

“Fiz algumas amigas brasileiras desde que cheguei. É engraçado porque as amizades aqui acabam sendo poucas e mais intensas, pois estamos todas mais ou menos na mesma situação: brasileiras na Finlândia”, conta Daniela, que usa o Skype para conversar com suas amigas e família no Brasil. Ela nos confidencia que uma das coisas que mais sente falta é do “colo da mãe” quando está triste ou chateada.

Sobre mudar radicalmente a vida, quando perguntei se sentia que tinha saído de sua zona de conforto ela foi enfática: “uns 800%!”. Ela, que morava em Malta antes de vir para Finlândia, vendeu roupas e tudo o que tinha para poder vir para cá. “Tornei-me mais desapegada com as coisas materiais. O que tenho cabe em algumas malas. Também não tenho mais meu shampoo preferido aqui, minha manicure, meu cabeleireiro. Sinto falta desses confortos que tinha antes”, confessa Daniela.

Falando sobre o relacionamento em si, Daniela afirma que estar com um finlandês é bem diferente de estar ao lado de um brasileiro. “Os finlandeses são mais comedidos, não são de fazer carinho em público, são mais tímidos e mais discretos. Claro que andamos de mãos dadas aqui e nossa vida é uma vida de casal normal, mas quando eu abraço meu marido e dou um beijo nele em público, ele fica todo vermelho, com vergonha”. Podemos considerar esse “comedido”, que a Daniela afirma, ser em grande parte devido à cultura do país. O finlandês em geral é mais quieto, menos extrovertido e não está acostumado com contato físico.

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“Meu marido no começo se assustava com meu jeito mais extrovertido de ser, de gostar de encostar nas pessoas quando falo, mas ele entende que é da minha cultura. Assim como eu procuro entender que a cultura dele é mais fechada e que eles prezam muito o espaço deles – menos na sauna onde todo mundo senta junto em espaços muitas vezes bem pequeno”, afirma. “Hoje em dia eu adoro fazer sauna, é o meu momento finlandesa aqui”, finaliza Daniela.

ADRIANA MINHOTO

Entenda como tudo começou:

As voltas que a vida dá nos leva a lugares inimagináveis!

 

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Dri Minhoto, a moça bonita desgarrada em terras finlandesas, dá mais detalhes de seu dia dia no seu blog, Entre Vodka e Cachaça. Pra conhecer é só clicar aqui e se jogar! Ah! O Entre Vodka e Cachaça também tem página no Facebook, viu? Já curtiu? Eu já!

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