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Já não se vê papais como antigamente…

Sabe de uma coisa? Que bom! Hoje em dia a participação dos papais na criação e cuidados com as crias está mudando bastante. Pai que mal troca uma fralda é coisa do passado, e a postura deles é bem mais participativa.Os tempos mudaram e hoje a gente vê vários perfis de pais cuidadores: pai solteiro, pai casado que decidiu ficar em casa enquanto a mulher sai para trabalhar, pai divorciado que tem a guarda compartilhada. Isso, do ponto de vista da Psicanalista Geisa Machado, de São Paulo, é consequência da revolução feminina.  “A mulher trabalhando fora de casa tornou-se inevitável a participação mais ativa do homem nas tarefas domésticas (e isso inclui o cuidado com os filhos). Tem casais, e eu conheço vários, que este novo perfil familiar acabou se instalando por conta dele perder o emprego e a mulher continuar trabalhando”, cita nossa consultora.

MATERNIDADE-FILHOS-FAMILIA-PAPAIS

Imagem: Paul Vaarkamp via Foter.com / CC BY-NC

A revolução feminina se deu “pra fora”, quando a mulher saiu de casa pra trabalhar, estudar, fazer política e lutar por igualdade de oportunidades e direitos. Quando vemos homens mais envolvidos com os cuidados das crianças, podemos dizer que há também aí uma revolução, só que “pra dentro”. Geisa concorda, e completa: “toda evolução pede uma revolução e ela é sempre interna, embora os seus reflexos sejam percebidos fora, no mundo externo, na mudança de rotina do dia a dia. A revolução feminina mexeu principalmente nos papéis antes definidos como a mulher sendo a rainha do lar e o homem sendo o provedor do lar. O que era engessado está se flexibilizando, os papéis agora se invertem e se misturam. Um está experimentando o mundo do outro, e com isso, a possibilidade de compreender melhor o cônjuge”.

Trololó de Mulher >>> No desenvolvimento psíquico de um ser humano, a presença intensa do pai faz diferença tanto quanto a da mãe?

Nem precisa ser intensa. As presenças de uma figura masculina e de uma figura feminina são importantíssimas no desenvolvimento psíquico da criança. O interessante é que quando o pai ou a mãe são ausentes fisicamente, eles podem ser substituídos pela presença de um tio, tia, avó, avô… Existem casos de crianças que foram criadas pelos avós e que tiveram um bom desenvolvimento psicológico.”

Trololó de Mulher >>> Por que os homens que querem chamar para si a responsabilidade de também cuidarem dos pequenos são vistos de maneira discriminada?

“Toda evolução sofre represália no começo e nessa questão não seria diferente. Não tenho conhecimento desta discriminação, ao contrário, o que as mulheres relatam é que os homens ficam muito mais valorizados aos olhos delas. O que pode acontecer é que numa sociedade machista como a nossa, isto pode ser visto, por parte de pessoas menos esclarecidas, como uma homossexualidade, o que é um absurdo porque cuidar de um filho não depõe em nada contra a masculinidade do pai.”

Trololó de Mulher >>> A sociedade de consumo vende a imagem de que um homem bem sucedido é aquele que tem status, poder, dinheiro, carro do ano… não há aí espaço para cuidar também das crianças. Fazer o caminho contrário pode levar o homem a entregar uma imagem social questionável. Será isso que atrapalha uma maior participação dos pais na criação dos pequenos?

“Não existe um “atrapalhar”, esta participação dos pais está acontecendo no ritmo que a evolução permite. Um homem que cuida dos filhos não é de forma alguma “menos macho” e/ou “menos bem sucedido”, ao contrário, é preciso muita coragem e dedicação para ter nas mãos a vida de uma criança. Portanto, é necessária uma maior conscientização deste novo papel para não se deixar levar por uma sociedade de consumo onde o que importa é o status e não o ser humano.”

Trololó de Mulher >>> O aumento da licença paternidade poderia contribuir para que os homens deixem de ter um papel coadjuvante no cuidado com os filhos, e tenham uma participação maior com envolvimento afetivo neste papel?

“Até pode favorecer, mas não consigo ver que isso seria a solução porque, por causa da nossa cultura, muitos pais poderiam ver este aumento como uma regalia a ser usufruída. A única saída é a conscientização por parte dos homens para reformularem o seu papel e permissão por parte das mulheres para os pais atuarem mais junto aos seus filhos (muitas acham que o marido não sabe cuidar de criança).”

Trololó de Mulher >>> De que maneira a participação masculina no cuidado com os filhos, de modo mais intenso e nos pormenores do dia a dia, pode impactar pais e filhos?

“A participação masculina está acontecendo de forma gradual de acordo com a necessidade do coletivo. Quando pessoas, como você, se interessam por este assunto querendo entender o que está acontecendo com as relações, isso contribui muito para levar as pessoas a compreenderem seu papel e sua participação na família e na sociedade. Dessa forma a violência tende a diminuir e a convivência familiar se torna de fato harmoniosa.”

 

PSICANALISTA-SAO PAULO-GEISA MACHADO

 

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Geisa também é blogueira, sabia? Pois é… seus textos podem ser acompanhados através de seu blog A Força e a Beleza de ser Mulher. Sua proposta é analisar os reflexos positivos, e também negativos, decorrentes do movimento femininsta. Alguma dúvida de que essa leitura pode ser bastante esclarecedora? Então se joga e clica aqui!

 

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2 comentários sobre “Já não se vê papais como antigamente…”

  1. Geisa Machado comentou:

    Parabéns minha querida! Mais um excelente trabalho!!!
    Ficou muito bom a forma como vc dispôs as perguntas e respostas.
    Obrigada novamente pela parceria.
    Bjusss

    1. Lidiane Vasconcelos comentou:

      Eu quem agradeço, Geisa! =D

      Beijos,
      Lidi

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