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Por que o sistema de saúde pública na Finlândia funciona?

Quando eu soube que era raríssimo ver a cara de um médico naquela terra tão fria, me questionei se a saúde pública na Finlândia era boa. Será?! Pois é disso que a Adriana Minhoto fala com exclusividade para o Trololó de Mulher neste mês. Acredite! Mesmo parecendo estranho, já que é muito diferente do que conhecemos por atendimento de saúde, o jeito de lidar com essa necessidade coletiva funciona em terras finlandesas. Entenda como e o porquê…

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Imagem: Marjaana Pato via Foter

Com saúde não se brinca, né? Por isso que quando mudamos para Finlândia, não nos preocupamos muito sobre esse assunto, pois aqui, além de ter um dos melhores sistemas educacionais do mundo, a saúde também é de graça e considerada muito boa.

Em nossas terras tupiniquins, em geral os que podem pagam plano de saúde e têm acesso a inúmeras consultas com médicos de diversas especialidades, e podem fazer os exames solicitados – e também temos a liberdade de conversar com o médico e pedir um check-up geral com glicemia, tireoide, colesterol, etc. Quem não pode pagar plano de saúde, se vira como dá em uma precária rede de saúde pública, onde existem filas até para poder pensar, falta de material e profissionais, enfim, um descaso total com a população.

Aqui na Finlândia, o sistema de saúde, não é da mesma forma que pensamos e entendemos no Brasil. Conseguir olhar para o rosto de um médico é bem difícil. Vou explicar: se você quer marcar uma consulta, liga para o posto de saúde (Terveysasema) mais próximo da sua casa, e deixa o recado que gostaria de marcar consulta. Uma gravação te avisa o dia e a hora que uma enfermeira entrará em contato. Ela retorna a ligação e pergunta por que você quer ir ao médico. Depois de explicar, a própria enfermeira vai decidir se você realmente precisa se consultar ou não. Caso positivo, ela conversa com a médica que emite eletronicamente uma guia de exame (que eles acham que você deve fazer) e é só ir ao hospital e realizar os exames. O resultado chega pelo sistema para o médico, que te liga e passa o resultado. Se estiver tudo ok, que bom! Se precisar tomar algum remédio – por exemplo em caso de colesterol alterado – ela te avisa, explica a posologia e manda pelo sistema a receita com o nome da medicação. Assim é só ir em qualquer farmácia e comprar o medicamento.

Praticamente não existe contato direto entre o paciente e o médico. O sistema eletrônico é bárbaro! Funciona direitinho, e guarda todas as suas informações nele, mas ao mesmo tempo perde-se o contato humano com o médico, pois você é apenas um número no sistema. Não há empatia, contato físico ou visual.

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Posto de saúde na Finlândia. Imagem: Anni Vartola via Foter

Ano passado, peguei uma gripe daquelas! Garganta inflamada e febre de 39 graus. Fiz todo o procedimento acima e consegui marcar uma consulta para o mesmo dia, pois era emergência. Cheguei no posto de saúde, uma enfermeira me examinou e falou que eu deveria beber muita água e fazer repouso. Só isso! Fiquei chocada! Eu, com febre, e nenhum remédio para abaixar a temperatura ou melhorar as dores que sentia.

Marido tem problema de tireoide e, quando chegamos, ele precisou passar em um médico aqui para que liberassem a receita do remédio dele. Passou no médico foi modo de dizer, pois ele só falou pelo telefone. Faz mais de ano que ele se trata aqui, e nunca viu a cara do profissional que o atende!

Ah, aqui também não existe essa de exame preventivo. Não se pode pedir um check-up para saber como anda a saúde, pois eles não liberam exames assim – só se houver algum sintoma. Esqueça o papanicolau e mamografia anual: aqui esse tipo de exame é realizado a cada dois anos ou mais, e anticoncepcional só é vendido com receita liberada pelo médico.

E não pensem que por que estamos no “primeiro mundo” que aqui não tem problemas em relação ao sistema de saúde. Uma consulta com um ginecologista pode demorar um mês – até ai normal, certo? Mas uma visita ao psiquiatra por exemplo, pode demorar até de dois a três meses para ser marcada. O tratamento de doenças psiquiátricas e psicológicas é bem complicado e demorado. Acho que os finlandeses não sabem muito como lidar com as pessoas…

Logo no começo do texto falei para vocês que o sistema de saúde era de graça aqui. Mas para algumas consultas são cobrados valores, que em geral são baixos, de 14 euros a 20 euros em média. Se você fica internado em um hospital, também paga um valor. Claro que o sistema daqui não tem nem comparação com o daí, mas é interessante ver essas diferenças e saber como funciona em cada país, né?! Quando a gente viaja para fora a turismo, nem imagina como funcionam coisas básicas da vida de um morador.

Vejo vocês mês que vem!”

ADRIANA MINHOTO

Entenda como tudo começou:

As voltas que a vida dá nos leva a lugares inimagináveis!

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Dri Minhoto, a moça bonita desgarrada em terras finlandesas, dá mais detalhes de seu dia dia no seu blog, Entre Vodka e Cachaça. Pra conhecer é só clicar aqui e se jogar! Ah! O Entre Vodka e Cachaça também tem página no Facebook, viu? Já curtiu? Eu já!

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