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Mulher que trata companheiro como filho: instinto materno?

Há mulheres que cuidam de seus companheiros com bastante zelo, e há homens que permitem esse tipo de tratamento. Há instinto materno nisso? Cuidar e ser cuidado, de tal maneira, faz parte da natureza íntima de ambos? Até que ponto isso pode trazer danos para a relação? Na dúvida sobre se isso está ou não dentro do que é saudável na convivência entre um homem e uma mulher, busquei a consultoria da Psicanalista Geisa Machado, de São Paulo. Embora qualquer um de nós, homens ou mulheres, gostemos tanto de carinho e cuidado, Geisa desmistifica o senso comum de que o gosto pelo cuidar seja algo exclusivamente feminino: “não se pode afirmar que mulheres gostam de cuidar. Algumas gostam mais do que outras, e existem mulheres que só querem cuidar delas mesmas. O cuidar faz parte do universo feminino, mas esta função não é de uso exclusivo da mulher, muitos homens também cuidam de suas esposas e filhos”.

Outra confusão bastante comum é quando encaramos como sendo a mesma coisa: o ato de cuidar e o instinto materno. Cuidar, na verdade, é algo que se aprende. Como as meninas são “treinadas” para isso desde pequenas, em geral quando adultas são as mulheres que assumem essa função na família. Isso não quer dizer, contudo, que os homens não possam fazê-lo. Justamente por que o cuidar tem mais um caráter de atribuição social, há mulheres que não desenvolvem esse tipo de aptidão… e tudo bem! Instinto materno, isso sim, é algo exclusivamente feminino. “Desde os primórdios da civilização, a mulher ficava em casa “cuidando” dos filhos e os homens se responsabilizavam pelo sustento da família. Portanto, mesmo nos tempos atuais, onde a mulher em muitos casos é a provedora da família, esse “cuidar” pode ser muito mais uma função, ou ato, copiado da mãe e reproduzido até os dias de hoje, do que propriamente exclusividade da mulher. A menina desde pequena é incentivada a brincar com bonecas e, consequentemente, a cuidar delas. É preciso separar o “cuidar” do “instinto materno”. O ato de amamentar e de proteger faz parte do universo feminino e isso é instinto materno, enquanto que é função masculina dar segurança. O “cuidar”, embora seja uma função feminina, pode ser exercido pelos dois”, explica a Psicanalista.

COMPORTAMENTO-COMPORTAMENTO FEMININO-INSTINTO MATERNO-RELACIONAMENTO-CASAMENTO

Imagem: Ryan McGuire via Gratisography

Trololó de Mulher >>> É possível que uma mulher, que não queira filhos, transfira o sentimento maternal para o companheiro?

É possível, mas não que obrigatoriamente isto ocorra. Este sentimento pode ser transferido, por exemplo, para um animal de estimação.”

TMulher >>> Como se caracteriza um relacionamento entre um homem e mulher onde os papeis de filho e mãe estão instalados?

Principalmente quando a mulher acha que o marido é incapaz de agir por conta própria. Ele trabalha, mas depende dela para fazer qualquer outra coisa. Ela decide o que ele veste, o que come, com quem se relaciona e onde vai. Estou aqui ressaltando a arbitrariedade materna onde a mãe “sabe o que é bom para o filho” e ela comanda a vida dele.”

TM >>> Somente mulheres fortes são capazes de colocar homens no lugar de filhos? Homens neste lugar são fracos?

Os termos forte e fraco são muito questionáveis. Eu prefiro dizer personalidade dominante e personalidade submissa. Pode-se dizer que as mulheres que colocam homens no lugar de filhos são dominadoras e controladoras e seus maridos são incapazes de agir por conta própria. Estas mulheres tiveram como exemplo mães que exerciam poder sobre os homens e estes homens tiveram como exemplo pais sem autonomia.”

TM >>>Tratar um homem dessa forma dá a sensação de empoderamento para essa mulher?

É o inverso, a mulher que já possui esta sensação de “empoderamento” é que domina qualquer um, inclusive seu companheiro. Preciso lembrar que os homens que se deixam dominar são aqueles que sempre estiveram sob o jugo feminino e, em muitos casos, se isentam de responsabilidades deixando tudo a cargo da esposa.

TM >>> Quais os riscos envolvidos numa relação como essa?

Os dois ficam engessados nos seus papéis (dominante e submisso) e não amadurecem (emocional e psiquicamente). Podem ocorrer muitas brigas com frases “ela é muito mandona” e “ele é um encostado”, ou não existe diálogo entre eles, ficam calados cada um no seu canto. Uma relação onde ambos são amadurecidos e agem com autonomia é uma relação onde o companheirismo se instala e o amor é facilmente construído.”

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TM >>> O que quer uma mulher nestas condições: um homem ou um filho?

Não sei se poderíamos colocar o termo “quer”. Na maioria das vezes a mulher não tem sequer noção que está tratando o marido como filho, é como se, inconscientemente, ela continuasse a brincar com as suas bonecas. Uma frase comum nestes casos é “se eu não fizer ele não faz”. Eu já presenciei caso de amigos onde o marido cuidava do filho muito bem e a esposa dizia que não, porém o que deu pra perceber é que ele não cuidava do “jeito” que ela queria. No final das contas o que ela queria era dominar e estar no controle de tudo.

 

TROLOLO DE MULHER

 

PSICANALISTA-SAO PAULO-GEISA MACHADO

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Geisa também é blogueira, sabia? Pois é… seus textos podem ser acompanhados através de seu blog A Força e a Beleza de ser Mulher. Sua proposta é analisar os reflexos positivos, e também negativos, decorrentes do movimento femininsta. Alguma dúvida de que essa leitura pode ser bastante esclarecedora? Então se joga e clica aqui!

 

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