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“Amo tanto o meu trabalho!”… será mesmo amor?

Feliz é quem desenvolve uma atividade e ama o que faz, porque dizem, quem gosta tanto de sua atividade laboral, não trabalha. Em tempos de redes sociais, então, bacana é propagar aos quatro cantos o quanto se é feliz trabalhando. Até aí, nada demais (creio), o problema é quando se trabalha tanto, que a vida passa a ser resumida a isso, e o gosto pelo trabalho na verdade revela um vício, uma compulsão.

Quem são as pessoas viciadas? Quando o amor passa a ser nocivo? Quais os sintomas? As perguntas são muitas, e direcionei todas para Geisa Machado, que é Psicanalista e, você sabe, nossa consultora sobre comportamento. Aprenda sobre esse mal e, oh: previna-se ou cuide de alguém que você ama. Vem!

 

Trololó de Mulher > Amar o trabalho, a ponto de sentir necessidade constante de estar mergulhada nele, é saudável?

 

“Amar” está associado a sentir prazer no que faz. “Necessidade” está associada a sentir obrigação. Partindo deste princípio, quem sente necessidade de estar mergulhada no trabalho está mais para sentir obrigação de trabalhar do que amar o trabalho. Quem trabalha demais nem sempre gosta do que faz e a obrigação pressupõe a existência de um desgaste (físico/psicológico), portanto, não é saudável.”

 

TMulher > A pessoa que é viciada em trabalho, o popular workaholic, acaba sendo negligente com a vida pessoal. Nesse caso, a família é quem sofre as consequências?

 

Workaholic é uma expressão americana que teve origem na palavra alcoholic (alcoólatra). Serve para designar uma pessoa viciada, não em álcool, mas em trabalho (work em inglês significa trabalho). Como todo viciado ele vive única e exclusivamente para satisfazer o seu vício, no caso, o trabalho, sendo, portanto, dependente do mesmo. O seu físico fica comprometido sendo acometido por várias doenças e a sua vida familiar fica relegada a segundo plano. Todos os membros da família sofrem as conseqüências porque são co-dependentes, e principalmente o próprio viciado que não percebe o que está acontecendo ao seu redor.”

 

TRABALHO-CARREIRA-WORKAHOLIC-COMPORTAMENTO

Imagem: free images

 

TM > Trabalhar em várias tarefas, assumir jornadas longas de trabalho, priorizar o trabalho em detrimento da vida pessoal, perfeccionismo, motivação exagerada: tudo isso pode caracterizar um workaholic?

 

Não necessariamente. Um workaholic não tem um perfil específico. O que eles têm em comum é a obsessão pelo trabalho. Cada caso precisa ser analisado separadamente porque o importante é descobrir o motivo que levou a pessoa a ter este vício.”

 

TM > Há quem trabalhe muito sem negligenciar a própria saúde ou a família, e faz porque ama sua atividade. Ou ainda, há quem precise muito aumentar a renda e, por isso, excedem um pouco mais. O que diferencia um viciado em trabalho de quem não é?

 

É preciso salientar que tudo que é realizado em excesso é prejudicial, seja por qualquer motivo e é aí que está a diferença. O vício é uma válvula de escape da angústia. Na busca de um alívio, o workaholic compensa esta angústia “se jogando no trabalho”, portanto, a satisfação sentida não é exatamente pelo trabalho, mas porque alivia a angústia.  Ao invés de procurar resolver a causa que originou a dor, o indivíduo busca o vício para aliviar a tensão existente.”

 

TM > Personalidade, genes, valores pessoais, educação voltada para competência e competição: o que determina que uma pessoa desenvolva esse problema?

 

Não existe um fator determinante que faça desencadear esse problema, podem ser todos estes que você citou, ou somente um deles. Uma pessoa pode ser ativa desde pequena desempenhando várias tarefas e não apresentar um quadro doentio. O que aponta para a existência de um problema é a obsessão caracterizada pelo exagero/excesso que causa distorções em outras áreas da vida.”

 

TM > Há como a pessoa sozinha perceber que ela se tornou viciada em trabalho? O que fazer?

 

Como todo viciado, a pessoa não percebe que está sendo afetada por uma doença. A necessidade de trabalhar responde a uma compulsão que se origina de fatores inconscientes e por isso não pode ser percebido pela pessoa conscientemente. O que acontece conscientemente é que a pessoa percebe isso como um amor ao trabalho. A indicação mais adequada para resolver o problema é a terapia para que seja tratada a dor primordial que levou ao vício e isso só com uma ajuda profissional.”

 

GEISA MACHADO

 

Geisa também é blogueira, sabia? Pois é… seus textos podem ser acompanhados através de seu blog A Força e a Beleza de ser Mulher. Sua proposta é analisar os reflexos positivos, e também negativos, decorrentes do movimento femininsta. Alguma dúvida de que essa leitura pode ser bastante esclarecedora? Então se joga e clica aqui!

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6 comentários sobre ““Amo tanto o meu trabalho!”… será mesmo amor?”

  1. Elaine Cunha comentou:

    Acredito demais nos excessos, amiga.
    É muito fácil perceber no mundo de hoje que a imersão no trabalho pode esconder vários problemas. É muito mais fácil se esconder, ocupar mente no trabalho a enfrentar o que está assombrando. Que pena! Que triste!

    #valereflexao

    Bjos

  2. Geisa Machado comentou:

    Parabéns Lidi! Eu acredito muito nas parcerias. Pra mim, duas, ou mais, mentes pensando juntas fazem um trabalho mais completo pela junção das idéias. Por isso fico sempre muito feliz quando vejo a nossa parceria sempre tão bem representada nos seus posts. Só tenho que agradecer! Bjussss

    1. Lidiane Vasconcelos comentou:

      Sou eu quem agradeço, Geisa.
      Suas consultorias deixam o conteúdo do Bicha Fêmea extremamente rico e útil. =)
      Beijos,
      Lidi

  3. olga skrepka comentou:

    Que bom suas explicações. É exatamente isso que ocorre com quem sofre desse mal. Que bom que tem cura. Gostei muito dos comentários. Valeu Geisa
    ….

  4. Vinicius comentou:

    Sempre tive como princípio que o bicho humano tende ao excesso.
    E sendo assim, nossa busca sempre vai em direção ao equilíbrio.
    Gostar do que se faz é louvável, e como!
    Trabalhar sobremaneira, é sem dúvida mais um desses incontáveis excessos…

    Abç
    Vinicius

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