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Eu, bicha fêmea navegante, estou superando um câncer de mama…

Não sei você, mas eu não sabia que a luta contra o câncer de mama se estende muito além da data em que a luta parece acabada. Na verdade, é preciso aguardar 5 anos para a paciente receber alta. É mesmo necessário ter muita garra para não esmorecer!

 

Bem, de força de vontade a Lenita entende muito bem, e por isso ela está disposta a compartilhar sua experiência para animar qualquer outra bicha fêmea que esteja tristinha nessa vida por alguma razão, qualquer que seja. É o seu caso? A Lenita garante que dá para aprender com as coisas ruins que acontecem, hein? Inspire-se!

Superando

Escolhi escrever “Superando” porque só vou poder falar que, de fato, superei em 2016. (Quem luta contra um câncer de mama sabe que a alta só vem após 5 anos de tratamento.) Como o objetivo não é falar da doença, mas da superação, vou dar uns saltos na minha história, que começa no fim de 2010. A minha primeira reação diante do diagnóstico foi … ” caramba, aconteceu comigo. E agora?” Em nenhum momento desanimei ou pensei que não conseguiria. Verdade! A minha firmeza foi tanta que os médicos questionaram se eu estava mesmo convicta, ou se estava em choque. Essa determinação tem me acompanhado até agora. Para mim o mais difícil foi contar para os filhos. Tive que lidar com o sofrimento deles e com o meu. Durante todo o processo, fui muito abençoada por contar com o apoio dos meus filhos, da família, dos amigos, dos profissionais de saúde e até de gente que não me conhecia intimamente. Acredito que isso fez toda a diferença! O que  me ajudou muito, também, foi a Fé!  Eu me aproximei demais do meu Deus, que recebe diferentes nomes nas Religiões, mas na essência, é um só! Aprendi que, para Ele, nada é impossível e que o Seu tempo é diferente do nosso! Quando você se dispõe a vencer um CA, sabe que a luta vai ser dura, longa e por vezes desanimadora.

CANCER-MAMA

Imagem: stock.xchng

O primeiro desafio: mastectomia total ou só quadrante (quando retiram apenas o tumor e preservam o que der da mama). Apesar da Fé, em todas as minhas decisões procurei ser o mais racional possível. No caso de CA de mama pode haver a volta da doença; então optei pela mastectomia total. Ruim? Claro! Mas sabia que teria a reconstrução da mama no ato da cirurgia. Para quem não sabe, há um exame realizado por médico patologista no ato cirúrgico, onde o gânglio sentinela é examinado e determinar a necessidade do esvaziamento axilar ou não (retirada de todos os gânglios linfáticos daquele lado). Esse exame é obrigatoriamente repetido no laboratório, com mais detalhes. No primeiro exame, nada foi detectado e os médicos comemoraram. Mas no exame detalhado fiquei sabendo que deveria passar por uma segunda cirurgia, para a retirada de mais alguns gânglios para exames. Resumo da ópera: duas cirurgias em dois meses! Duas internações, duas anestesias, duas recuperações… Aí comecei o tratamento propriamente dito. Por mais que tivesse feito o máximo, teria que passar por quimioterapia e radioterapia. Na primeira consulta com a Oncologista escutei dela que 6 meses, naquele momento, pareciam muito. Mas quando eu menos esperasse, já tinha passado. Não consegui raciocinar direito, naquela hora, porque na minha cabeça só pensava  … “meu cabelo vai cair! Vou ter inúmeras limitações! Como vou fazer?”… Para mim, CA de mama é das doenças na mulher a mais injusta: ataca o que ela tem demais caro na sua feminilidade: os seios e os cabelos! E fui à luta! Ainda tive que lutar contra uma Neutropenia (baixa quase que total da imunidade) que me levou novamente ao hospital por uma semana e alguns efeitos colaterais da quimioterapia. Quando me dei conta, tinha acabado! A radioterapia, tirei de letra. Então tive que reaprender a caminhar pela rua com confiança, sem medo de cair, sem medo que o lenço escapasse da cabeça… E ela também teve seu final! Agora, era retomar a vida e “bola prá frente”! Claro, há o medicamento que deve ser tomado diariamente por cinco anos. Há os exames periódicos e as consultas para controle. Mas também há a alegria de ver o cabelo crescendo, a palidez indo embora, o organismo se recuperando. O que me ficou desses mais de dois anos de luta? A lição de que a gente não deve se abalar com bobagens. O ensinamento de que nada acontece por acaso e a gente aprende com as coisas ruins que nos acontecem. A certeza de que eu mudei com tudo isso. E mudei para melhor! E que a vida é linda! Ah! E durante esse tempo todo eu não chorei! Estou chorando agora, revendo tudo enquanto escrevo, torcendo que seja útil para alguém.”

 

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7 comentários sobre “Eu, bicha fêmea navegante, estou superando um câncer de mama…”

  1. Roselia Bezerra comentou:

    Olá, queria Lidiane
    Eu estava tristinha sim e passar por aqui não foi à toa!!!
    A gente tem em mente que a tristeza não leva a lugar algum mas quando recebe a notícia de uma enfermidade da filha, por exemplo, fica mal…
    Ler o relato da Lenita foi para mim, restaurador…
    Vou melhorar o ânimo e a generosidade, certamente!!!
    Obrigada pelo lindo post/ patilha
    Seja abençoada e feliz!!!
    Bjm de paz e bem

    1. Le comentou:

      Roselia, viva seu momento de tristeza, mas não desanime nunca. Acredite!
      Força e fé!
      Boa sorte.

  2. Lidiane Vasconcelos comentou:

    Roselia, fico feliz que a história da Lenita, que está lutando contra o câncer, tenha te dado ânimo para enfrentar os problemas. A gente por vezes fica triste mesmo, né? Acho normal. O importante é não se deixar abater por completo.

    Você diz que te fiz bem, olha que engraçado: hoje estou num dia mais cansativo, estressante, o que me deixou de mau humor. Ler seu comentário, ou seja, saber da utilidade real do Bicha Fêmea na vida de uma pessoa me fez tão bem. =)

    Bem que vai, bem que volta… =D

    Obrigada!

    1. Le comentou:

      Só por isso já valeu.
      Bj, linda.

  3. Terezinha( Teca) comentou:

    Cheguei aqui através de Rosélia Bezerra minha doce amiga e emocionei-me ao ler sua postagem.
    Lembrei de mim mesma diante do diagnóstico de MAL DE PARKINSON há 12 anos atras.Minha luta é constante mas minha fé em Deus inabalável.
    Senti tanta fé em você lendo seu texto que isso fortaleceu mais a minha ainda.
    Você é uma mulher de força.
    Deus a abençõe.
    Teca

  4. Michelle de Amo comentou:

    Minha superação será completa dia 04 de junho de 2017. É quando terei alta de um câncer de mama que descobri aos 28 anos de idade na época em que estava preparando minha casa e minha vida para ficar grávida… Sim doeu muito ler aquelas palavras no resultado do exame… mas doeu mais ainda quando o médico falou que provavelmente a quimioterapia me tiraria a capacidade de gerar um filho…. Mas cá estou, depois de uma mastectomia com reconstrução, uma cirurgia para retirada de ovulos para tentar engravidar qdo tiver alta lá em 2017, 6 quimioterapias, 28 radioterapias 18 imunoterapia…. Sinceramente depois de tudo o que passei não acho que o médico está certo… assim como nao estava quando disse que eu perderia os cabelos (ficou so metade mas ficou hahaha)… Nunca me senti doente e sempre fiz piada da minha situação… sabe porque? Pq eu vi de perto a possibilidade de morrer e veio uma força lá de dentro que me fez enxergar o quanto é um grande privilegio estar viva… tive cancer, mas estou muito mais viva e grata a Deus do que a maioria das pessoas saudaveis que eu conheço… sou muito mais feliz agora! Uma felicidade que começa desde a hora que eu acordo e penso “que bom respirar, que bom estar viva”…vamos lá enfrentar mas um dia abençoado, driblar os problemas com sorriso no rosto e agradecer por ter a possibilidade de tratamentos, por ter amigos, por ter família, por estar viva… pra mim é o que importa! E quando leio depoimentos como esse que postou tenho certeza de que estou certa… o mais importante da vida é estar Viva! bjjjj

  5. Maria comentou:

    Beijinho

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