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Mães trabalham muito e ficam menos com os filhos: e daí?

Não sei se você já fez a si própria essa pergunta, mas eu já. Eu contei para você que estou grávida? Pois é, bonita… fomos abençoados! Se eu te disser que ando mais feliz do que pinto no lixo por causa disso você acredita, ? O fato é que a gravidez me induz a prestar mais atenção nos assuntos ligados a maternidade e tals, muito mais do que antes.

A falta de tempo para estar com os filhos, devido ao excesso de ocupações que parece ter generalizado, é algo que chama a minha atenção. Nesse tempo de modernidade em que a gente vive isso é normal. É mesmo?!

Basta dar uma olhada na minha timeline do Facebook e ver várias atualizações das tantas mulheres por lá que dizem ter trabalhado como loucas o dia inteiro, e até emendam com a noite. A mensagem que elas passam para o mundo ao fazerem esse tipo de atualização constante é de que não há espaço para mais nada em suas vidas, somente para o trabalho. Eu, que terei um bebê nos braços muito em breve, me peguei pensando: e onde a gente encaixa os filhos nisso tudo?

A verdade é que a vida não é mais como antes, quando apenas os homens trabalhavam fora e as mulheres trabalhavam em casa, cuidando dos afazeres domésticos e da educação dos filhos. Hoje é diferente e isso representa um avanço nas nossas vidas, porque podemos fazer nossas escolhas e darmos atenção ao que queremos como mulher. Até aí, tudo parece ser muito saudável e alinhado com o nosso tempo. A questão é: e quando essa necessidade de trabalhar invade a relação familiar numa medida que até mesmo a educação das crianças passa a ser terceirizada?

Essa dúvida me levou até a Psicanalista Geisa Machado, que é nossa consultora para os assuntos ligados a comportamento, e que você já deve ter conhecido através de outros posts por aqui. É ela quem alerta: “os pais delegam a educação dos próprios filhos a terceiros. Eu digo os pais porque esta tarefa é dos dois. Muitas mulheres fazem atualmente o que os homens faziam antigamente: chegam em casa, querem descansar e não ter aborrecimentos com criança. Com isso, fazem todas as vontades dela, enchem-na de brinquedos e acham que agindo assim minimizam uma possível culpa que sentem por não estar com o filho o tempo todo (a culpa na mulher pode ser maior, porque a pressão em cima dela é também muito maior na questão da maternidade)”.


Imagem: stock.xchng

Quando esse quadro se instala na família, e vamos combinar que isso não é raro acontecer, pode haver consequências de ordem psicológica para a criança. Eu sempre desconfiei disso, e por isso fui em busca da informação com a Geisa. A notícia quanto a isso não é das melhores pois, de fato, o prejuízo pode ser grande: “a criança se sente isolada e desconsiderada (na maioria dos casos, sente que é a causadora da desarmonia da família). O resultado disso é o que vemos no dia a dia: crianças tensas, depressivas, hiperativas, obesas… desnorteadas”. Outro ponto bastante importante que pode comprometer o desenvolvimento da criança é o fato de a mulher insistir em atuar como a mulher maravilha, ou seja, ela não consegue cuidar adequadamente dos filhos mas também não delega isso para o pai, porque acha que só ela é quem dá conta do recado direito: “isso sim causa um transtorno psíquico na criança que fica perdida, sem a orientação adequada da mãe e do pai”, Geisa esclarece.

 

Será que chegamos ao ponto de constatar que o fato de as mulheres terem conseguido o direito de sair para trabalhar foi a pior coisa que elas fizeram por suas famílias? Não , gente? Absolutamente! Na verdade, talvez esteja faltando equilíbrio. De acordo com Geisa, falta aparar arestas e tirar os excessos:

Não há problema na mulher trabalhar e terceirizar os cuidados que o filho precisa. O problema é quando ela trabalha DEMAIS, isto pode ser um sinal de que ela não aceita a maternidade, inconscientemente rejeita o filho e… consequentemente… ele sente isso. Portanto, e eu acredito nisso, a qualidade, e não a quantidade, do tempo que a mãe está com o filho é que é importante, não por se sentir obrigada a, mas por gostar de. Estar junto dele e presente, de corpo e alma, é que faz toda a diferença. Mas para isso é extremamente necessário perceber se a mulher está presente dessa forma e ter muita AUTENTICIDADE para se responder a esta verdade. Se a mulher chega muito tarde em casa, trabalha demais e precisa ficar abrindo espaço na sua agenda para estar com o filho, é sinal que ela está dando mais importância ao trabalho e, querendo ou não, a criança percebe isso e reage das mais diversas formas.”

No final das contas, se temos nosso direito de escolha, precisamos também lembrar que qualquer opção que a gente faça gera consequências. Será que vale a pena a gente simplesmente ir junto com o movimento da onda da modernidade sem questionar se o modelo ideal para nossas vidas carece de alguns ajustes? O que queremos atingir com o trabalho fora de casa em excesso?

 

Parece ter virado uma convenção de que terminar o dia esgotada de tanto trabalho é sinal de que estamos compromeitidas… mas com quem mesmo? Parece também que uma jornada cumprida de forma exaustiva nos dá a imagem de sermos altamente competitivas e competentes no mundo do trabalho… mas, e a família? Ela fica totalmente imune aos efeitos disso tudo?

Eu fico pensando por aqui com os meus botões…

Geisa também é blogueira, sabia? Pois é… seus textos podem ser acompanhados através de seu blog A Força e a Beleza de ser Mulher. Sua proposta é analisar os reflexos positivos, e também negativos, decorrentes do movimento femininsta. Alguma dúvida de que essa leitura pode ser bastante esclarecedora? Então se joga e clica aqui!

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10 comentários sobre “Mães trabalham muito e ficam menos com os filhos: e daí?”

  1. Tati comentou:

    Lidi, Parabénnnnnnnnnns! ADOREI a notícia!! Só coisas boas para você nesta fase, que costumo chamar de mágica, aliás tudo relacionado a filhos pra mim é meio mágico…kkk…
    Uma hora eles nem conseguem pegar um objeto e de repente… bummmm!! Não só pegam tudo, mas correm pulam e falam cada uma! Querida é um momento de muitos questionamentos, mas acredito que a gente só cresce com isso e o melhor mto feliz!
    Essa questão de trabalho é bem pessoal e difícil para as mães. A Tutitati surgiu justamente para eu poder trabalhar próximo ao meu pitoco! Os dois primeiros anos fiquei mesmo babando e curtindo exclusivamente, só quando ele foi para a escola meio turno é que retornei ao trabalho! Posso te dizer que pra mim valeu muito! Mas infelizmente, nem sempre a questão da mulher trabalhar é só uma escolha, na maioria das vezes é uma necessidade! Hoje, me viro em mil, para dar conta… mas qual mãe não é mil e uma utilidades??
    Super beijo duplo, Tati

    1. Lidiane Vasconcelos comentou:

      Obrigada, Tati!
      Uma amiga blogueira, a Carol do Shhh!!!, quando soube da minha gravidez, me deu as boas vindas a um mundo muito mais colorido. Acho que é mais ou menos assim que ando enxergando tudo a minha volta. =)

      Essa história de trabalho fora de casa X maternidade foi algo que sempre rondou meus pensamentos desde que eu decidi que queria ser mãe. O Bicha Fêmea tem sido fundamental na minha vida porque o que era algo totalmente despretensioso no início e que não passava de um hobby, tornou-se uma possibilidade de geração de renda, e isso é algo concreto hoje na minha vida. Gerenciando/editando o Bicha Fêmea eu posso trabalhar em algo que me dá muito prazer e ficar pertinho de Artur quando ele vier ao mundo, vê-lo crescer, educá-lo mais de perto e tal. Sei que sou privilegiada por isso, aliás, somos, né? Mas também sei que isso não é algo que esteja no alcance de muitas mulheres. É uma pena!

      É como Geisa falou, trabalhar não é o problema, até porque a imensa maioria de nós sente necessidade de trabalhar por questões que vão além da financeira. O x da questão está na intensidade do trabalho fora de casa. Ás vezes a mulher se deixa levar e não procura dosar isso, causando esse prejuízo na educação dos pequenos. Outras vezes, ela é obrigada. De uma forma ou de outra, seria muito bom se houvesse uma mudança de pensamento, seja da mãe mesmo, ou do empregador…

      Beijos,
      Lidi

  2. Luciene Rosi comentou:

    Ótimo post!!
    Considero-me uma privilegiada… trabalho fora somente 4h por dia… e em casa faço artesanato… e as pequenas curtem, mas a que ficar sempre atenta… pq mesmo em casa às vezes não estamos presentes, uma batalha diária!!
    Mas mto válida!

    Bjins Lidi!
    E a barriguinha como vai??

    1. Lidiane Vasconcelos comentou:

      Oi, Luciene! =)
      A barriguinha está por aqui, dando o ar da graça… =)

      Beijos,
      Lidi

  3. Geisa Machado comentou:

    Que notícia maravilhosa!!! Parabéns querida!!!
    E parabéns por se preocupar de antemão com estas questões que são muito importantes para o desenvolvimento psicológico da criança e que, infelizmente, a maioria das mães não se preocupam.
    Mais uma vez vc arrasou na edição deste post e, em minha opinião, vc não arrasou só na edição mas na contribuição de mais um tema necessário para as mulheres refletirem.
    Que esta criança seja muito bem vinda ao mundo, que ela te traga muitas alegrias e que te ajude no seu crescimento pessoal (nós sempre crescemos se soubermos ouvir nossos filhos).
    Se precisar de alguma orientação particular fique a vontade para entrar em contato comigo, ok? No que eu puder ajudar estou a disposição.
    Bjussss

    1. Lidiane Vasconcelos comentou:

      Obrigada por tudo, Geisa. =)
      Pois é, é como comentei com a Tati nos comentários: essa questão da maternidade x trabalho ronda minha cabeça desde muito tempo. A maternidade parece mesmo cheia de desafios, e eu espero aprender muito com tudo isso. Mais até, quero continuar discutindo muito no Bicha Fêmea. Debatendo podemos crescer juntas, né? =)

      Beijos,
      Lidi

  4. Irani Ribeiro comentou:

    Lidi que ótima noticia! Quer dizer que em breve esse site vai estar todo “cuticuti” com dicas de bebes certo?
    Arrasou no post, mamaes sem desculpas hein…qualquer 1 horinha com seu filho por dia pode se tornar inesquecivel, e ainda ligar durante o dia, marcar presença de uma forma ou de outra.

    1. Lidiane Vasconcelos comentou:

      Oi, Irani!
      Então, não tenho pretensão em tornar o Bicha Fêmea um espaço exclusivo para assuntos ligados a maternidade, bebês, crianças e tal. Entretanto, esse é um assunto que, vez ou outra, vai aparecer por aqui. Aliás, isso já aparecia antes. A diferença agora é que terei algum conhecimento de causa, né? … rsrsrsrs…

      :*
      Lidi

  5. offshore bank account comentou:

    A necessidade de limites das crianças e a culpa dos pais se encontram no mesmo sentido e proporção. Os motivos dos pais são inúmeros: trabalham demais, ficam pouco tempo com seus filhos, sendo assim ficam chateados de o pouco tempo que tem junto às crianças ser preenchidos por brigas e castigos. Além do que sofremos hoje da síndrome do especialista onde tudo deve ser dito por alguém que estudou especialmente aquele assunto e assim ficamos alheios aos nossos filhos e suas necessidades.

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