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“Mulher É Um Bicho Danado!”… Se Não, Vejamos…

Há uma observação sempre recorrente na boca de marido que diz assim: mulher é um bicho danado! EmoticonEyebrow

Essa observação, que eu diria não ser das mais requintadas, tem um “Q” de reflexiva, ou no mínimo “dá pano para manga”, para não dizer um bom trololó.

Ela vem sempre após atitudes femininas que ele acha extremamente curiosas, que talvez ele não veja ou sinta no universo masculino, e por isso cause tanta perplexidade. São atitudes que levam as mulheres a fazerem sacrifícios para estarem belas e se sentirem jovens, como por exemplo a busca pela beleza que se torna escravidão , ou a preocupação paranóica com a celulite,  e ainda tentarem desmentir uma verdade inexorável: todo mundo vai envelhecer, inclusive a gente. E nessa busca incessante pela beleza e juventude, as mulheres se avaliam e se medem umas pelas outras, para analisar quem está no padrão, ou quem foge dele… 

Também causa espanto a cobrança que as mulheres fazem entre si para que “arrumem marido”. Umas perguntam ás outras em tom de curiosidade se têm namorado, se não vão arrumar um, se já casaram, quando vão casar, etc. A princípio parece curiosidade, mas a pergunta é inquisidora e logo parte-se para a sessão dos “porquês” se ela responder que não tem um homem, como se isso fosse algo errado. Essa cobrança no mínimo esquisita foi colocada em discussão aqui no Bicha,  e com maestria , pela Patrícia Pirota do blog “Ainda MininaMá”.

Recentemente a observação de marido veio a tona no festival do Japão. Falei desse passeio que fizemos aqui, lembra? Pois muito bem, foi lá que ele viu mais uma situação de cobrança entre mulheres protagonizada por uma moça que nos abordou para vender um serviço. Logo que ela perguntou se eu trabalhava fora e eu respondi que não, veio a famigerada pergunta em tom de reprovação:

ah! então você não trabalha, só o maridão, hein?

Logo pensei: “como assim?

E respondi: “mas… não estar empregada significa ausência de trabalho? “

É preciso que se diga que ela percebeu a gafe e tentou remediar a confusão que fez com os conceitos de emprego e trabalho. O fato é que acho pouco provável que depois daquela situação delicada ela tenha se proposto a pensar a respeito, porque parece que as mulheres não param mesmo para pensar sobre o quanto são cruéis umas com as outras, cobrando-se entre si o tempo inteiro um modelo de vida padrão, como se tudo que fugisse a ele fosse um ultraje.

Por esses dias li a Ju, que escreve como colaboradora no blog “Coisas de Meninas”, levantando a discussão dos direitos adquiridos pelas mulheres a partir da luta feminista. Naquele post a bonita levantou um aspecto importante que ficou latente ao longo dos anos desde então: o direito que a mulher adquiriu de poder trabalhar fora se assim ela quisesse, mesmo que isso pudesse significar acúmulo de trabalho (a já conhecida jornada dupla), tornou-se um dever. Parece que foi isso mesmo o que aconteceu. E agora? Mais cobranças…

media.photobucket.com (7)Hoje em dia é assim:

1 – Não estar bonita e “gostosa” significa que a mulher não é atraente;

2 – Não estar casada ou namorando significa que a mulher é “esquisita”, tem algo errado para que os homens “não a queiram”;

3 – Não trabalhar fora significa que ela é desprovida de competências se decidisse o contrário, ou passa o dia inteiro de pernas para o ar, incapaz de qualquer atividade que produza valor material ou intelectual.

Quando vejo situações assim, em que a mulher sofre cobranças para se adequar a alguns papéis, penso (com pesar) que parece termos voltado no tempo. Voltamos ao tempo em que a mulher é apontada se não rezar a cartilha que foi escolhida para ela. E onde fica o direito de escolha?

E mais, quando essa cobrança vem de forma ferrenha das próprias mulheres, que se tornaram carrascas delas mesmas, eu me pergunto: como uma mulher que se diz moderna, sucumbe a esse comportamento tão retrógrado de achar que funções, modelos e comportamentos engessados ainda existem? Não vejo outra saída que seja a de corroborar com a obsevação pitoresca de meu marido: “mulher é um bicho danado!”EmoticonConfused

Imagem: Photobucket

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61 comentários sobre ““Mulher É Um Bicho Danado!”… Se Não, Vejamos…”

  1. Elaine comentou:

    Nossa, senti como se este texto tivesse sido escrito pra mim!! Comecei a trabalhar cedo, aos 15 anos e depois de muitos anos trabalhando para corporações e realizada profissionalmente pude optar por trabalhar em casa cuidando de meus filhos exclusivamente.
    Foi uma escolha pessoal, difícil até, mas que compensou e não me arrependo em nenhum minuto destes últimos sete anos.
    Porém, quando me perguntam assim como ocorreu com vc, é esta reação que percebo tb, e quase que exclusivamente vinda de outras mulheres.
    Cheguei a comentar com meu marido que seria um tipo de preconceito invertido, afinal se muito antes a mulherada teve que brigar pra poder trabalhar fora sem ser rotulada de “mulher da vida”, hoje a mulher que opta por ser dona de casa tem que provar que não é preguiçosa ou “encostada” no marido.
    Poxa, penso que o melhor benefício que tivemos com toda a revolução feminista é o poder de optar o que melhor nos cabe, independentemente do que seja. Antes nos enfiavam goela abaixo que deveríamos ficar em casa, e hoje, pasmem, devemos impreterivelmente trabalhar fora. O que mudou então?
    Ainda bem que estou de bem com minha opção e as pessoas com quem convivo tb, porque no final é isso que importa. Mas que este preconceito besta incomoda, ahh incomoda…

  2. Ana Carolina comentou:

    Lidiane e Claudia, amei o texto de vcs! Preciso confessar que eu adorei a minha licença maternidade. Dinheiro no banco e tempo para casa, marido e filhota. Não poderia ter sido mais perfeito. Mas a licença acaba e a rotina muda. Ser mãe muda tudo! Muda para melhor, mas muda! Fiquei enlouquecida nas primeiras semanas que voltei a trabalhar. Empregada pediu demissão e optamos que a Maria luísa não ficaria em creche…. Então, era mala e Malu cada dia na casa de um (tias, avós). Quase enlouqueci! Mas depois de 2 semanas, parecia que nada tinha acontecido. Aliás, como nós, mãe e mulheres, nos adaptamos tão fácil às mudanças! Hoje, o horário do meu marido é muito mais flexível que o meu. Mas me considero privilegiada, pois fico com a filhota de 17hs até ela ir dormir por volta das 21hs e curto cada momento. Não sei se eu me acostumaria a ficar em função dela o dia todo. Eu preciso fazer algo por mim… E o trabalho é uma forma de prazer tb. Mas acredito que tudo na vida é uma escolha e que tem muitas vantagens quando vc faz a opção de criar os filhos e cuidar da casa. Eu percebo que perco muita coisa indo trabalhar… Bom, mas é a vida!
    Bjs,
    Carol

    PS: Lembrei de vc… Em breve, depois que engravidar (rs!), vc vai querer ler o meu post sobre Problemas na Amamentação.
    http://peixotodossantos.blogspot.com/

  3. Lidiane Vasconcelos comentou:

    Eita, Margaret! Obrigada pelo elogio a minha escrita. 🙂
    Pois é, para uma mulher envelhecer pode ser um tanto desagradável, e bem que seria legal se pudéssemos ser sempre jovens. Mas a vida não é assim, e lutar contra a passagem do tempo de forma paranóica é bem perigoso, eu acho… certos exageros acabam tendo o efeito contrário: ao invés de mais bonita, certos procedimentos deixam a mulher esquisita… humpf! 🙁
    Beijos, bonitona! 😀

    Aline
    Primeiro obrigada pelo elogio ao texto. 😀
    Segundo, deixa eu te contar: também já me senti pressionada por mim mesma.

    Creio que essa cobrança pessoal já passou, sei minhas potencialidades e também conheço direitinho as razões que me levaram a sair do mercado de trabalho. O problema é que as outras pessoas não sabem nem de uma coisa, nem de outra. Nem eu vou ficar propagandeando nada por aí, néam?

    Mas o fato é que nas entrelinhas elas cobram, e isso enche o saco porque, para me livrar disso, só se eu me isolasse do mundo. E isso está fora de cogitação. Quando percebo uma incoveniência nesse sentido, a vontade que dá é de mandar a pessoa… cof cof cof… sabe onde, né? Mas eu sou uma bicha fêmea fina e educada… kkkk… não faria isso jamais…:D

    Enfim, preciso é aprender a abstrair a cobrança externa, fazer ouvido de mercador e dar uma de louca e burra, fingindo que não estou entendendo nada… kkkk…

    Mas é isso, bonita! Não estás só. 😉
    Beijos!

    Oi, Elaine!
    Tão bom ler você no Bicha Fêmea pela primeira vez… 😀
    Fico bem felizinha cada vez que tenho a oportunidade de interagir com uma nova bicha fêmea… 😀

    Bem, tenho antes que te parabenizar por ter assumido o que te faz feliz. Se é o que você quer de verdade, é o que importa. Mas as pessoas apenas julgam, e mal… isso é “uó”!!!!

    E você definiu muito bem o que acontece hoje em dia contra as mulheres que optam por se dedicar a família: preconceito invertido. Dá para entender um mundo desse? 😮
    Beijos e volte sempre!

  4. Elaine comentou:

    Ohh Lidiane, vc é muito atenciosa, viu?! Adorei sua visita no meu espaço e seu comentário, assim como adorei seu blog.
    Estarei por aqui, dando meus pitacos. No começo sou meio tímida, tá? Mas com o tempo vou me soltando.
    Realmente fiz esta opção e neste momento da minha vida é o que me faz feliz. Mas não considero esta opção como definitiva, e isto é que eu penso ser minha maior conquista: a oportunidade de fazer estas escolhas. Quantas pessoas na verdade precisam ficar com seus filhos por conta até de alguma doença, e simplesmente não podem por causa da situação financeira? E quantas necessitam trabalhar, mas lhes faltam a opotunidade ou QI (quem indica), como a amiga Aline mencionou?
    Eu, apesar de estar em casa, fico a milhão por hora. Não páro um segundo sequer, seja cuidando da casa e dos pequenos, seja cuidando da empresa que tenho, seja abrindo uma lojinha na net (como vc viu), seja cuidando de mim mesma, etc…e ainda aguento com humor e elegância outras mulheres me dizendo: “ahhh, mas vc é madame, então…”
    Afff, só no bom humor mesmo!
    Vixi, olha só eu me soltando…queria escrever uma notinha e acabei me empolgando.

  5. Lidiane Vasconcelos comentou:

    …kkkkk… oh, Elaine!!! Que bom que você foi se soltando, né não? O bom é isso, estar disposta para o trololó. 😉
    Beijos!!!

  6. Madame Mim comentou:

    Oi Lidiane.
    Escrevi sobre isso hoje, essa cobrança para que estejamos sempre acompanhadas, sob pena de sermos consideradas alienígenas.
    Preguiça dessa sociedade que nos impõe papéis e estereótipos, de todos os tipos: profissão, sentimentos, corpo.
    Seu blog é uma delícia de ler, gamei!
    bjos

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  9. Fernanda comentou:

    Realmente é isso, Lidi, a pressão social para que todos entremos naquela padronização: tirar curso, namorar, casar, ter filhos ( 2, um casal de preferência!), comprar casa, carro, etc, é intensa e recorrente.
    É necessário ter fibra para enfrentar os nossos próprios desejos e planos, se eles não encaixam nesta “robotização”!

    E benditas as mulheres que o fazem!

    Bjossss

  10. Lane (Vila mulher) comentou:

    Bom dia Lidiane!
    Parabéns pelo blog e estou cumprindo a visita!
    A sociedade glogbalizada tem desrespeitado o nosso direito de sermos nós mesmas.Cada qual com a sua natureza e individualidade .Praticamente nos impõe um comportamento superficial para sermos aceitas.
    O maior equívoco é vvivermos da aprovação de quem quer que seja.
    Todas nós possuímos luz própria e não dependemos de nada e ninguém para brilharmos. O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.
    Obrigado pela oportunidade!

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